Polícia
por Bernardo Rego
Publicado em 22/07/2026, às 07h34
Durante operação do Ministério Público, deflagrada na terça-feira (21) para desarticular um grupo apontado como responsável por operar o sistema financeiro do PCC, três coronéis da PM foram citados no âmbito das investigações.
Entre eles o ex-comandante da PMSP José Augusto Coutinho que comandou a corporação até abril deste ano e o coronel Luiz Carlos Pereira Martins que fazia parte de um grupo do WhatsApp "de caráter social e pessoal" em que estava também Cléber Azevedo dos Santos, que teria ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além disso, entre as provas reunidas está um áudio atribuído a Cleber, preso na ação, em que ele pede R$ 100 mil em dinheiro para, segundo a mensagem, pagar policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
No áudio, registrado em 23 de julho de 2025, Cleber diz a um homem identificado como Bruno que um cliente chamado Caio precisava trocar uma transferência bancária por dinheiro em espécie.
"Deixa eu te falar. Aquele meu cliente lá, o Caio, ele precisa de R$ 100 mil aí pra trocar. Quer mandar TED e pegar em (dinheiro) vivo, porque ele precisar pagar os 'polícia' [sic] do Deic, porque ele teve um problema. Tem R$ 100 mil pra ajudar ele aí?", diz a gravação.
Um grupo de WhatsApp com o nome "aniversário general", ativo ao menos até 21 de novembro de 2023, reunia o coronel Luiz Carlos Pereira Martins, Cléber Azevedo, apontado como "companheiro" do Primeiro Comando da Capital (PCC), e Robson Martins Souza, segundo o Ministério Público de São Paulo.
De acordo com a investigação, as mensagens trocadas no grupo tinham "caráter pessoal e social, com referências a eventos e celebrações". Para os promotores, o conteúdo demonstra uma relação de proximidade entre os participantes que ia além de contatos ocasionais.
Além da participação no grupo, o Ministério Público afirma ter identificado registros de que o coronel Luiz Carlos Pereira Martins se dispôs a ajudar os investigados e a intermediar contatos com outras autoridades.
Em outra conversa, de acordo com a investigação, Robson Martins Souza solicitou a Odair Alves da Silveira Filho o repasse de R$ 30 mil para que um cliente pudesse "pagar os amigos", expressão que, segundo o Ministério Público, era utilizada para se referir ao pagamento de propina a agentes públicos.
A investigação também localizou uma anotação que registra um pagamento em dinheiro de R$ 1 mil em favor do coronel identificado como "Patrício".
Ao todo, são cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. A ação é um desdobramento das operações Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas e busca aprofundar as investigações sobre operadores financeiros apontados como responsáveis por converter dinheiro em espécie em transferências bancárias, além de ocultar, movimentar e disponibilizar valores ligados à facção criminosa.
De acordo com o Ministério Público, os investigados teriam utilizado empresas e contas de terceiros para movimentar recursos destinados a integrantes e colaboradores do PCC.
As apurações também indicam que alguns suspeitos participaram de reuniões voltadas à resolução de conflitos patrimoniais entre membros da organização, episódios conhecidos pelos investigadores como "tribunais do crime".
As medidas incluem ainda o bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas em até R$ 10 milhões por investigado, além de restrições patrimoniais contra empresas apontadas como parte da estrutura financeira da organização criminosa.
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