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MP oferece denúncia contra mais de 20 pessoas por lavagem de dinheiro na Polícia Civil

Investigação sobre delitos como corrupção e fraude processual se deu no âmbito da Operação Bazaar  |  Divulgação/ SSP-SP

Publicado em 28/04/2026, às 10h04   Divulgação/ SSP-SP   Bernardo Rego

O Ministério Público de São Paulo, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), ofereceu denúncia contra 23 pessoas — entre operadores financeiros ilícitos, advogados, intermediários e policiais civis — por participação em um esquema que funcionou de forma estruturada por pelo menos quatro anos em São Paulo. Os investigados são acusados de associação criminosa, corrupção ativa e passiva e fraude processual.

De acordo com as investigações, integrantes de uma organização voltada à lavagem de dinheiro, já investigada pela Polícia Federal, montaram uma rede de corrupção que alcançou diferentes unidades da Polícia Civil de São Paulo, como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e o 16º Distrito Policial. 

A ação criminosa tinha por objetivo garantir a continuidade das atividades ilícitas do grupo, que movimentava quantias bilionárias por meio de empresas de fachada, evasão de divisas, "ticketagem" com cartões de alimentação e outros mecanismos de lavagem de capitais.

Para viabilizar o esquema, foram efetuados pagamentos sistemáticos de propina a policiais civis responsáveis por investigações. Os primeiros registros dessas transferências aconteceram em agosto de 2020, e as práticas continuaram mesmo após operações da Polícia Federal e da Receita Federal. Além disso, as autoridades identificaram condutas destinadas a interferir nas apurações, como a retirada de documentos e a substituição de dispositivos eletrônicos apreendidos, com o objetivo de dificultar a produção de provas.

Na denúncia, o Ministério Público requer a manutenção das prisões preventivas já decretadas contra parte dos acusados e das medidas patrimoniais impostas no âmbito da Operação Bazaar.

Para os demais, os pedidos envolvem medidas como proibição de deixar a comarca, restrição de contato com outros investigados, entrega de passaporte, recolhimento noturno e uso de tornozeleira eletrônica. O GAECO espera obter também o bloqueio de bens e valores dos policiais civis denunciados, até o limite de R$ 5 milhões por pessoa, para assegurar o ressarcimento de danos e o pagamento de despesas processuais em caso de condenação.

O MPSP sustenta ainda que a corrupção de agentes públicos responsáveis por investigações causou prejuízo à confiança da sociedade nas instituições de segurança pública, motivo pelo qual pede a reparação por dano moral coletivo.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha e colabora com as investigações do Ministério Público. A Polícia Civil disse que não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes. 

Confira a nota na íntegra:

"A Corregedoria da Polícia Civil acompanha e colabora com as investigações do Ministério Público. A PC reafirma que não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes. Todas as medidas legais e disciplinares cabíveis serão adotadas caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades".

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