Polícia

MP pede R$ 10 milhões de fabricante de ração tóxica que matou cavalos em SP

A ação civil pública contra a Nutratta aponta que o produto continha substâncias tóxicas em níveis alarmantes; centenas de cavalos morreram  |  Foto: Freepik

Publicado em 26/05/2026, às 08h58   Foto: Freepik   Amanda Ambrozio

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) entrou com uma ação civil pública na Promotoria de Justiça do Consumidor contra a a fábrica de nutrição animal Nutratta e seu proprietário.

A medida, protocolada na última sexta-feira (22), ocorre após centenas de cavalos morrerem e outros animais adoecerem em todo o país, depois de consumirem a ração contaminada do fabricante.

As investigações apontam que a empresa utilizou resíduos de soja contendo alcaloides pirrolizidínicos, substâncias tóxicas encontradas em plantas do gênero Crotalaria, na produção de rações para equinos, bovinos, suínos e aves.

Segundo o G1, laudos laboratoriais revelaram concentrações da toxina monocrotalina até 2.600 vezes superiores ao limite de segurança para cavalos.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Pedidos judiciais e impactos na saúde animal

Na ação, o MP-SP solicita o bloqueio de bens dos réus e o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, além de indenizações individuais aos criadores prejudicados.

O órgão também exige a realização de um recall imediato e a interdição das atividades da fábrica até que todas as exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) sejam cumpridas.

Dados do Mapa confirmam 238 mortes de cavalos em estados como Alagoas, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Em casos graves, como em Indaiatuba (SP) e Atalaia (AL), dezenas de animais morreram após apresentarem sintomas similares aos de demência, como desorientação e perda de controle motor.

Segundo a veterinária Marcella Batista, a toxina é hepatotóxica e neurotóxica, não possui cura e frequentemente leva à necessidade de eutanásia devido ao sofrimento extremo dos animais.

"O animal se debate, derruba tudo, entra em sofrimento absurdo. E aí tem que entrar com eutanásia", disse. 

Risco à cadeia alimentar humana

Um dos pontos mais alarmantes levantados pela Promotoria é o risco de contaminação cruzada.

Como a mesma linha de produção era utilizada para diferentes tipos de ração, auditoras do Mapa alertaram para a possibilidade de a toxina ter atingido a cadeia alimentar humana por meio do consumo de leite e carne de animais alimentados com o produto irregular.

Enquanto o processo tramita na Justiça, a orientação para criadores que utilizaram o produto é a realizem exames preventivos de enzimas hepáticas nos animais.

Classificação Indicativa: Livre


TagsJustiçaMinistério PúblicoRação TóxicaCavalos

Leia também


Polícia aponta registros de pagamentos ligados a Deolane Bezerra em investigação sobre o PCC


Motorista envolvido em acidente fatal em SP alegou surto e uso de medicamentos; entenda