Polícia

MP-SP é acionado para investigar evento de R$ 5 milhões no Centro de SP

A Fan Zone foi construída no Vale do Anhangabaú, no Centro de SP, para a Copa do Mundo; MP-SP deve investigar supostas irregularidades no evento  |  Foto: Gabriela Pessanha/BNews São Paulo

Publicado em 18/07/2026, às 17h30   Foto: Gabriela Pessanha/BNews São Paulo   Amanda Ambrozio

O vereador Nabil Bonduki (PT) acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para pedir a abertura de uma investigação sobre supostas irregularidades na realização do Fan Zone Anhangabaú, evento promovido durante a Copa do Mundo deste ano no centro de SP.

Entre os questionamentos estão a contratação de uma empresa sem licitação, o uso de recursos públicos e a exploração comercial do espaço.

Foto: Gabriela Pessanha/BNews São Paulo

Vereador questiona contratação e uso de verba pública

Segundo a representação apresentada ao MP na última quinta-feira (16), a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, contratou a empresa Now Sports por R$ 5 milhões com dispensa de licitação apenas dois dias antes do início do evento.

Para o parlamentar, o curto prazo entre a assinatura do contrato e a abertura da Fan Zone levanta dúvidas sobre a legalidade da montagem da estrutura.

O documento também questiona a justificativa utilizada pela administração municipal para a contratação direta, baseada em um licenciamento da CazéTV, responsável pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo.

Segundo o Metrópoles, o vereador alega que não há comprovação de que apenas a Now Sports pudesse executar o serviço.

Outro ponto levantado é o pagamento de R$ 700 mil à concessionária Viva o Vale pela utilização do Vale do Anhangabaú, espaço público concedido à iniciativa privada.

Segundo Bonduki, o valor representa cerca de 14% do custo total do projeto e precisa ser detalhado, incluindo critérios de cobrança e eventuais receitas obtidas pela concessionária com alimentação, bebidas e ativações comerciais.

Patrocínio e coleta de dados também são alvos

A representação também aponta que, embora o plano de trabalho previsse o custeio integral do evento com recursos públicos, a empresa Binance atuou como patrocinadora, promovendo ações comerciais e captação de clientes durante a programação.

De acordo com o documento, há indícios de que a organizadora tenha obtido receitas com patrocínios privados sem que houvesse contrapartida financeira ao município.

O vereador também pede que o Ministério Público apure a coleta de dados pessoais dos participantes, incluindo adolescentes entre 11 e 17 anos, por possível violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, que a contratação seguiu a legislação vigente e que o contrato de patrocínio é público e está disponível para consulta no Portal da Transparência.

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