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PCC controla 12 das 22 empresas de ônibus na capital paulista, aponta investigação

Infiltração do crime organizado no transporte público paulista envolvia empresas de fachada e lavagem de dinheiro com a cooptação de políticos  |  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Publicado em 17/09/2026, às 14h45   Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil   Marina do Val

Uma megaoperação deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) aponta que ao menos 12 das 22 empresas de ônibus do transporte coletivo da capital paulista são controladas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC)

Ao todo, os agentes cumprem 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão na capital paulista e nos municípios de Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. 

Política e transporte

De acordo com as investigações, o esquema atuava por meio de uma estrutura organizada para ocultar os reais proprietários das concessionárias. 

O grupo utilizava empresas de fachada, direcionava licitações, comprava frotas inteiras de ônibus para lavar dinheiro do tráfico e utilizava funcionários "laranjas" como sócios formais das companhias.

As facilidades obtidas no setor público ocorriam, em grande parte, pelo financiamento clandestino de campanhas eleitorais e pelo repasse de propinas a agentes públicos. 

Entre os alvos da operação estãoMilton Leite (União), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, citado como responsável direto por operações de empresas, que não foi encontrado no momento da operação, mas afirmou que se apresentará às autoridades dentro de 24 horas; Levi dos Santos Oliveira,ex-presidente da SPTrans, preso durante a manhã acusado de se reunir periodicamente com membros da facção para alinhar interesses do grupo.

Danilo Morgado (PL), candidato a deputado estadual e ex-candidato à prefeitura de Praia Grande, preso sob a suspeita de ter tido campanhas financiadas pelo PCC; e a "Sintonia dos Gravatas", um núcleo formado por advogados e operadores encarregados de fraudar licitações, intermediar propinas e ceder escritórios para encontros da facção.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O que dizem as autoridades e citados

Em declaração por telefone ao Metrópoles, o ex-vereador Milton Leite negou qualquer envolvimento com o esquema criminoso e reiterou que se colocará à disposição da Justiça em até 24 horas. A defesa de Levi dos Santos Oliveira afirmou ter sido pega de surpresa e que aguarda acesso aos autos do processo para manifestação.

A Prefeitura de São Paulo informou que tem atuado com rigor e em conjunto com o MPSP e a Polícia Civil, destacando que as intervenções realizadas em empresas como a Transwolff e a UPBus visam proteger o sistema municipal e o interesse público. 

Já a Câmara Municipal de São Paulo declarou que acompanha o caso e aguarda a conclusão dos trabalhos de investigação.

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