Polícia
Publicado em 27/10/2026, às 11h20 Foto: Divulgação Tatiana Ribeiro
A Polícia Civil de São Paulo bloqueou mais de R$ 374 milhões em bens e ativos de investigados por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado a roubos e à comercialização ilegal de joias e ouro. A medida foi adotada nesta terça-feira (27), durante a terceira fase da Operação Ouro Reverso, que tem como alvo o núcleo financeiro de uma organização criminosa.
Coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a operação prevê o cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão, além da interdição de um estabelecimento comercial de joias e do sequestro de um imóvel.
A ação mobiliza 87 profissionais, entre policiais civis e representantes de órgãos públicos. O objetivo é interromper a circulação de recursos ilícitos, identificar os responsáveis pela movimentação financeira e atingir o patrimônio utilizado para sustentar as atividades criminosas.
Segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, a investigação busca enfraquecer a estrutura financeira da organização.
“A Operação Ouro Reverso, assim como outras que estamos realizando com êxito no estado de São Paulo, demonstra a importância desse trabalho conjunto, que reúne inteligência, investigação e análise financeira para atingir o patrimônio das organizações criminosas e enfraquecer sua capacidade de atuação”, afirmou.
As apurações indicam que o grupo atuava de forma organizada, com núcleos responsáveis por diferentes etapas do esquema. A estrutura incluía a obtenção de joias e metais preciosos por meio de crimes patrimoniais, a receptação e transformação dos materiais e a movimentação dos valores para ocultar sua origem ilícita.
Nesta terceira fase, denominada “A Máquina”, os investigadores concentram os trabalhos nos operadores financeiros suspeitos de viabilizar a circulação do dinheiro. De acordo com a Polícia Civil, o esquema utilizava empresas, pessoas conhecidas como “laranjas” e transferências sucessivas entre contas para dificultar o rastreamento dos recursos e inseri-los na economia formal.
A análise de celulares, computadores, documentos contábeis e Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) identificou indícios de alterações societárias, uso de empresas de fachada e movimentações financeiras entre pessoas físicas e jurídicas.
Uma das empresas investigadas teria movimentado mais de R$ 356 milhões, segundo as apurações.
A Operação Ouro Reverso teve início em 2024, após investigadores identificarem a entrega de uma joia a um conhecido jogador de futebol durante um cruzeiro marítimo. Segundo a Polícia Civil, o responsável pelo presente tinha condenações por envolvimento com organização criminosa.
A partir desse episódio, os policiais aprofundaram as investigações e identificaram uma estrutura suspeita de atuar na obtenção, transformação e comercialização de metais preciosos de origem criminosa.
A primeira fase da operação ocorreu em maio de 2025 e recebeu o nome de “O Sangue”. Na ocasião, o foco foi um núcleo suspeito de envolvimento em roubos violentos de alianças e na receptação inicial das peças. As diligências permitiram reunir informações sobre a atuação do grupo e identificar outros possíveis integrantes.
Em agosto de 2026, a segunda etapa, denominada “A Fachada”, direcionou as investigações a estabelecimentos comerciais, oficinas e laboratórios suspeitos de transformar joias e ouro obtidos ilegalmente em novos produtos.
Os alvos estavam concentrados principalmente em uma região do centro da capital paulista conhecida como “Círculo do Fogo”, que reúne fundições, fabricantes e comerciantes de metais preciosos.
Durante essa fase, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em joias, e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 35 milhões em bens e ativos.
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