Polícia
Publicado em 11/08/2026, às 10h50 Foto: Unsplash Amanda Ambrozio
O número de crianças e adolescentes vítimas de crimes virtuais durante as férias escolares aumentou 78% em São Paulo na comparação com o mesmo período do ano passado.
Os dados são do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil, e apontam crescimento de 89 para 158 casos registrados entre 15 de junho e 15 de julho.
O levantamento considera ocorrências identificadas durante o monitoramento realizado pelas equipes especializadas e inclui crimes como indução à automutilação, indução ao suicídio e zoosadismo.
Segundo a delegada Lisandréa Salvariego, coordenadora do Noad, a maioria das vítimas identificadas nas investigações é formada por meninas entre 6 e 15 anos.
Outro alerta feito pela Polícia Civil é que os próprios autores dos crimes podem ser adolescentes. De acordo com a delegada, mudanças de comportamento e isolamento social precisam ser observados por pais e responsáveis.
“A grande maioria são meninos considerados tranquilos, que não costumam dar trabalho para a família. Justamente por isso, o isolamento social e a mudança de comportamento são sinais que não podem ser ignorados”, afirmou Lisandréa.
As investigações do Noad apontam que adolescentes podem ser expostos gradualmente a conteúdos cada vez mais violentos por meio dos algoritmos das plataformas digitais.
O contato pode começar com materiais aparentemente inofensivos.
Conforme o usuário demonstra interesse, porém, os sistemas de recomendação podem direcioná-lo para conteúdos progressivamente mais extremos, incluindo publicações relacionadas ao discurso de ódio e à violência.
Para a delegada, a misoginia também representa um importante sinal de alerta nesse processo.
“A misoginia hoje é um dos principais indicadores de alerta para nós. O adolescente vai sendo dessensibilizado e passa a consumir conteúdos cada vez mais violentos”, disse.
Segundo ela, o acompanhamento dos responsáveis é fundamental para identificar esse tipo de exposição.
A Polícia Civil orienta pais e responsáveis a acompanharem o que crianças e adolescentes consomem na internet e a manterem conversas frequentes sobre o ambiente digital.
A recomendação é abordar temas relacionados à violência, misoginia, discurso de ódio e outros conteúdos de risco sem julgamentos, para facilitar que os jovens relatem situações de abuso ou contato com grupos e conteúdos criminosos.
Além do diálogo, a polícia recomenda o uso de ferramentas de controle parental e o respeito à classificação indicativa das plataformas e dos conteúdos acessados pelos filhos.
A orientação também é observar alterações de comportamento, principalmente quando acompanhadas de isolamento social.
Em casos de suspeita de crimes virtuais envolvendo crianças e adolescentes, pais, responsáveis e outras pessoas que identifiquem situações de risco devem procurar as autoridades e registrar uma denúncia.
O Noad recebe informações pelo e-mail nucleo.noad@sp.gov.br, além de outros canais oficiais de denúncia.
A partir dos registros, as equipes especializadas da Polícia Civil podem iniciar as investigações e buscar identificar tanto as vítimas quanto os responsáveis pela produção, compartilhamento ou incentivo a conteúdos criminosos no ambiente digital.
Polícia de SP descobre estrutura de facção em rede de aliciamento infantil online
Pena para crime digital aumenta; confira 7 dicas para blindar seus dados