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Suspeita de fraude: alunos de 50 escolas têm nota “extremamente improvável” no Provão Paulista

Levantamento da Repu aponta concentração de notas atípicas na rede estadual, enquanto Secretaria da Educação nega irregularidade sistêmica no exame  |  Foto: Divulgação/Seduc São Paulo

Publicado em 05/09/2026, às 16h43   Foto: Divulgação/Seduc São Paulo   Marina do Val

Uma análise estatística inédita elaborada pela Rede Escola Pública e Universidade (Repu) colocou sob suspeita os resultados do Provão Paulista Seriado ao identificar desempenhos considerados "extremamente improváveis" em estudantes de 50 escolas estaduais paulistas. 

Segundo os pesquisadores, os indícios encontrados são consistentes com a ocorrência de fraude sistêmica durante a aplicação da avaliação nas edições mais recentes. 

O Provão Paulista é a principal porta de entrada da rede pública de ensino do estado para vagas em universidades e faculdades renomadas, como a USP, Unesp, Unicamp, Fatecs e Univesp, além de servir como métrica para o governo estadual mensurar a qualidade do aprendizado e a gestão das unidades de ensino.

Salto de notas atípicas e concentração em poucas escolas

De acordo com o levantamento da Repu, enquanto instituições com aplicação rigidamente controlada, como as Etecs, mantiveram taxas de variação dentro da normalidade estatística, com apenas 0,17% de alunos com notas atípicas em 2025, a rede estadual regular registrou um salto discrepante. 

Entre os estudantes do 3º ano do ensino médio da rede estadual, a taxa de resultados considerados atípicos subiu de 0,49% em 2024 para 1,91% em 2025. 

O aspecto que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a forte concentração do fenômeno em apenas 50 unidades escolares, em vez de uma distribuição homogênea pela rede. 

Em casos extremos, mais de 40% a 50% dos alunos de uma mesma instituição apresentaram esse padrão anômalo

O estudo revela ainda que 1.266 estudantes convocados para o ensino superior vieram de unidades com mais de 40% de resultados atípicos, sendo que 1.017 deles saíram de escolas onde mais da metade das notas estava sob suspeita. 

Para os autores da pesquisa, variações socioeconômicas ou avanços pedagógicos não explicam oscilações dessa magnitude de um ano para o outro, embora ressalvem que a análise estatística aponta falhas e distorções no processo geral sem a intenção de punir individualmente cada estudante.

Foto: Divulgação/Seduc São Paulo
Foto: Divulgação/Seduc São Paulo

O que diz a Secretária da Educação (Seduc-SP)

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) rebateu as conclusões do relatório da Repu e negou veementemente qualquer hipótese de fraude sistêmica que comprometa o exame.

Em nota para o Metrópoles, a Secretária defendeu a idoneidade do processo seletivo e afirmou que não existem evidências que sustentem a perda de validade da avaliação

A Seduc relembrou que, na edição de 2025, houve episódios pontuais em que seis estudantes foram flagrados com celulares tirando fotos de cadernos de prova, mas ressaltou que não houve vazamento prévio do conteúdo. 

Nesses casos, as provas dos envolvidos foram anuladas e as equipes de fiscalização das escolas foram notificadas para reforçar a aplicação das regras.

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