Política

Haddad faz críticas às finanças de SP e afirma que próximo governo receberá o estado sem caixa

Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Candidato aponta queda expressiva nas reservas do estado e impactos nos investimentos públicos ao avaliar a gestão das contas paulistas.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Marina do Val

por Marina do Val

Publicado em 05/09/2026, às 15h43



O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, voltou a fazer duras críticas à condução da política fiscal do governo paulista. 

Durante cumprimentos de agendas de campanha no interior do estado neste sábado (5), o candidato alertou que, em caso de vitória nas urnas, a futura administração assumirá o governo sob um cenário orçamentário delicado, marcado por escassez de recursos e pela deterioração da saúde financeira do estado.

Segundo avaliação apresentada pelo ex-ministro, a máquina pública estadual passa por um desequilíbrio estrutural, acumulando compromissos e despesas em ritmo incompatível com a arrecadação. 

Em apuração do UOL, de acordo com Haddad, a perda de flexibilidade no orçamento compromete diretamente a capacidade da administração paulista de planejar novos investimentos e honrar compromissos históricos com serviços essenciais.

Queda nas reservas de caixa e corte de investimentos

Entre os números citados pelo pré-candidato para embasar o diagnóstico, destaca-se a retração drástica dos valores mantidos em caixa.

Haddad apontou que o saldo do Governo do Estado caiu de um patamar anterior de R$22 bilhões para aproximadamente R$5 bilhões

Ele acrescentou ainda que os investimentos totais recuaram de forma substancial ao longo do período recente, passando de R$76 bilhões para R$74 bilhões.

Essa limitação fiscal, de acordo com o candidato, já surte efeitos práticos na ciência e tecnologia. 

Como exemplo, Haddad citou os entraves enfrentados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que precisou reavaliar e cancelar bolsas de estudo devido ao contingenciamento de verbas. 

Para o candidato, ver o estado mais rico do país cortar incentivos de pesquisa reflete a falta de caixa decorrente do desequilíbrio nas contas estaduais.

Críticas à gestão da saúde e serviços públicos

Além do campo econômico e científico, o ex-ministro estendeu suas críticas à prestação de serviços públicos de saúde, articulando a crise orçamentária ao atendimento oferecido à população.

Em suas manifestações, ressaltou que a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS) atua com baixa eficiência e exige mudanças urgentes de modelo de gestão.

Para Haddad, a regulação atual falha ao adotar uma lógica estritamente cronológica, sem ponderar adequadamente a urgência clínica de cada caso. 

Ele defende a modernização do sistema de filas do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do uso de inteligência e triagem baseada em gravidade, acompanhada de socorro financeiro e fortalecimento das parcerias com as Santas Casas de Misericórdia.

Alívio via governo federal e debate eleitoral

Na visão do candidato, a situação fiscal do estado não atingiu níveis ainda mais graves unicamente devido às medidas de socorro promovidas no âmbito do governo federal. 

Haddad lembrou que as negociações do plano de renegociação de dívidas dos estados com a União garantiram margem de manobra para São Paulo não fechar as contas no vermelho de forma ainda mais severa.

Diante disso, a capacidade de recuperar o caixa, administrar o déficit e reordenar as prioridades de investimento se consolida como um dos eixos centrais na disputa eleitoral pela sucessão ao governo paulista. 

O debate sobre a sustentabilidade fiscal promete ditar o tom das propostas e das discussões entre os candidatos ao Governo de São Paulo.

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