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Apagão em SP: 4,4 milhões de clientes foram afetados durante ciclone, assume Enel

Número real de afetados durante ciclone extratropical dobra estimativa inicial e reacende cobrança da Aneel sobre a distribuidora de energia  |  Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

Publicado em 14/01/2026, às 09h59   Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.   Bianca Novais

A dimensão do apagão que atingiu São Paulo em dezembro foi maior do que a inicialmente divulgada. A Enel Distribuição São Paulo reconheceu que 4,4 milhões de clientes foram impactados pela falta de energia durante a passagem de um ciclone extratropical pelo estado, número significativamente superior ao informado no primeiro balanço.

Em documento retificado enviado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 19 de dezembro, a concessionária explicou que o dado anterior, de 2,2 milhões de consumidores, representava apenas o pico de desligamentos simultâneos, e não o total acumulado de clientes que ficaram sem luz ao longo do evento, conforme informações da CNN Brasil.

Foto: Arquivo/BNews São Paulo.

Segundo a empresa, o apagão se estendeu por cerca de 12 horas de ventania intensa. Nesse período, equipes conseguiam restabelecer o fornecimento em algumas áreas enquanto novos desligamentos ocorriam em outros pontos da rede, elevando o número final de impactados na análise posterior.

A Enel afirmou que os dados enviados à Aneel passam por auditoria da agência reguladora e que a diferença decorre da metodologia de apuração em tempo real versus a consolidação após o evento climático.

Ciclone

O ciclone extratropical provocou rajadas de vento de até 90 km/h em diferentes regiões da Grande São Paulo. Árvores caíram, estruturas foram danificadas e a rede elétrica sofreu impactos diretos de galhos e objetos arremessados pela ventania.

Em alguns municípios, mais de 80% dos consumidores chegaram a ficar sem energia, segundo a própria distribuidora, o que também afetou o trânsito e serviços essenciais na capital e região metropolitana.

Equipes em campo

Para enfrentar o cenário, a Enel mobilizou milhares de profissionais. No dia 10 de dezembro, quando o ciclone atingiu o estado, 1.688 equipes atuaram em campo. O número subiu para 1.768 no dia 11 e alcançou 1.775 no dia 12, antes de cair para 1.409 equipes no dia 13.

Pressão da Aneel

Diante da dimensão do apagão, a Aneel enviou um ofício cobrando explicações da concessionária. A agência questionou por que o plano de contingência não garantiu uma recomposição mais rápida do serviço e solicitou detalhes técnicos, laudos meteorológicos e a curva completa de restabelecimento da energia.

O documento também cita a reincidência de falhas e aponta que um desempenho considerado insatisfatório pode, em último caso, resultar na caducidade da concessão.

Em resposta, a Enel reiterou que os desligamentos foram causados pelas condições extremas do clima e afirmou trabalhar no reforço de protocolos e na ampliação da capacidade de resposta a eventos climáticos severos.

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