Política
Publicado em 24/08/2026, às 14h10 Foto: Reprodução/Agência Brasil Amanda Ambrozio
Após não participar do primeiro debate entre candidatos à Presidência da República em 2026, realizado pela TV Band neste domingo (23), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um vídeo nas redes sociais para justificar a ausência e criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também não compareceu ao encontro.
No mesmo horário do debate, Lula participou de uma entrevista exibida pela TV Record.
Flávio afirmou que deseja participar dos confrontos eleitorais, mas disse que seu principal adversário é o atual presidente.
“Eu quero debater, mas quero debater com quem está destruindo o Brasil e piorando a sua vida”, afirmou.
Segundo o senador, Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), que participaram do debate, não são seus adversários diretos.
“Eu respeito todos eles, mas eles definitivamente não são meus adversários. O meu adversário é quem está no poder”, declarou.
Assista ao vídeo de Flávio no Instagram:
Durante o pronunciamento, Flávio responsabilizou o governo federal pelo aumento do endividamento das famílias, pela alta dos preços dos alimentos e pela violência.
O senador também afirmou que pretende reduzir impostos e promover cortes em decretos e portarias que, segundo ele, criam excesso de burocracia para empresas e trabalhadores.
A proposta foi chamada por ele de “tesouraço”.
Flávio também defendeu mudanças no tratamento dado às facções criminosas.
Segundo o candidato, organizações criminosas deveriam ser classificadas como “organizações terroristas”, seguindo uma política adotada pelos Estados Unidos.
Outra promessa apresentada pelo senador foi a adoção de medidas voltadas a empresas e microempreendedores.
Em tom de crítica ao governo, afirmou que quer enfrentar quem teria levado empresas a reduzir suas operações e aumentado o custo de vida da população.
No vídeo, Flávio citou a Casas Bahia como exemplo e afirmou que o governo seria responsável por uma situação em que o consumidor precisa “parcelar em até seis vezes uma pizza”.
Flávio também utilizou o vídeo para mencionar investigações da Polícia Federal envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
O senador citou suspeitas relacionadas a um suposto esquema de tráfico de influência e afirmou que o caso deveria ser discutido durante a campanha eleitoral.
Flávio também mencionou investigações relacionadas a Marcola, apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), e fez referências a um ex-chefe de gabinete de Lula.
As citações foram usadas pelo candidato para reforçar a crítica ao governo federal e justificar sua decisão de não participar do debate.
O senador também adotou um tom religioso durante o pronunciamento e fez um aceno ao eleitorado cristão.
Caso seja eleito presidente, afirmou que um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
Flávio disse ainda que sua campanha será baseada nos princípios de “Deus, pátria, família e liberdade”, temas frequentemente associados ao discurso político do campo conservador.
Ao final do vídeo, voltou a reforçar que pretende enfrentar Lula nos debates.
“O meu adversário é quem está no poder e está destruindo o Brasil. Você sabe quem ele é, é com ele que quero debater.”
A ausência de Lula e Flávio foi um dos principais assuntos do debate realizado pela Band. O encontro inicialmente estava marcado para 16 de agosto, mas foi adiado depois que Lula sinalizou que não participaria.
O presidente manteve a decisão de faltar, e Flávio posteriormente também optou por não comparecer.
Romeu Zema, que estava entre os candidatos convidados, anunciou no domingo que não participaria. O candidato do Novo justificou a decisão justamente pela ausência de Lula e de outros concorrentes.
Com isso, apenas três dos seis candidatos inicialmente convidados participaram do debate: Caiado, Renan Santos e Augusto Cury.
Cury, inclusive, chegou a anunciar que não participaria. Na chegada aos estúdios da Band, chamou o encontro de “um teatro” e classificou sua decisão inicial como um protesto.
Depois de conversar com o jornalista Fernando Mitre, porém, voltou atrás e decidiu participar.
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