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Caso Master: Mendonça derruba sigilo de pagamentos realizados por Vorcaro

Documentos sobre a rede de pagamentos de Daniel Vorcaro foram liberados, mas informações ligadas a pessoas com foro continuam restritas  |  Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Publicado em 14/09/2026, às 15h00   Foto: Carlos Moura/SCO/STF   Amanda Ambrozio

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo do processo que reúne informações sobre a rede de pagamentos do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

A decisão atende a um pedido feito pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

A documentação reúne informações obtidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) durante as investigações envolvendo Vorcaro e o Banco Master.

Entre os dados revelados estão pagamentos que somam mais de R$ 57 milhões para a Igreja Batista da Lagoinha, além de uma transferência de R$ 22 mil para um homem apontado pelas autoridades como integrante do círculo de confiança do empresário.

Foto: Divulgação/Banco Master
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PF pediu acesso a pagamentos de pessoas com foro

O processo é formado por três documentos principais. O primeiro é uma petição apresentada pela Polícia Federal, que solicitou ao Coaf Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) de pessoas investigadas no caso Master.

Segundo a PF, o Coaf atendeu apenas parcialmente ao pedido porque identificou, nos documentos, movimentações envolvendo pessoas que poderiam ter foro por prerrogativa de função.

Por esse motivo, o conselho informou que precisava de autorização expressa do STF para fornecer os dados referentes a esses pagamentos.

A PF então pediu ao ministro André Mendonça autorização para ter acesso às informações. Segundo a documentação que agora se tornou pública, não há registro de uma decisão do ministro autorizando expressamente o compartilhamento desses dados.

Na sequência, aparece no processo o relatório produzido pelo Coaf e encaminhado à Polícia Federal.

Vorcaro repassou mais de R$ 57 milhões à igreja

Entre as movimentações financeiras destacadas no relatório estão pagamentos que ultrapassam R$ 57 milhões destinados à Igreja Batista da Lagoinha entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.

Segundo a CNN Brasil, a instituição já foi alvo de apurações relacionadas à CPMI do INSS e a suspeitas envolvendo desvio de emendas parlamentares.

O vínculo com Vorcaro também chama atenção porque seu cunhado, Fabiano Zettel, atuava como pastor da instituição.

A documentação divulgada com a derrubada do sigilo permite agora que os pagamentos sejam analisados dentro do contexto mais amplo das relações financeiras investigadas no caso Banco Master.

Homem apontado como "capanga" recebeu R$ 22 mil

Outro pagamento destacado no relatório do Coaf envolve Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário". Segundo as autoridades, ele integrava o círculo de pessoas que atuavam diretamente para Vorcaro.

De acordo com as informações da investigação, Mourão seria responsável por atividades como monitoramento, coação, retirada de conteúdos da internet e ataques hackers, além de articulações com criminosos que seriam realizadas a mando do empresário.

O relatório aponta que ele recebeu R$ 22 mil no período analisado.

As informações fazem parte do material reunido durante as investigações e ainda deverão ser avaliadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.

Sigilo foi retirado antes de julgamento no STF

A decisão de tornar o processo público ocorre às vésperas de uma sessão do STF marcada para esta terça-feira (15).

O julgamento deverá analisar a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes em razão de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro.

Segundo Moraes, a divulgação das peças relacionadas aos pagamentos seria necessária para permitir que os ministros tenham acesso aos elementos que podem embasar seus votos.

O próprio ministro havia pedido, no domingo (13), a retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou nesta segunda-feira e foi favorável à publicidade do processo.

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