Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 13/09/2026, às 14h20
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha divulgada no sábado (12) mostra que 34% dos brasileiros defendem que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se afaste temporariamente do cargo para ser investigado após a divulgação de mensagens atribuídas a ele e ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Outros 28% acreditam que Moraes deveria sofrer um processo de impeachment no Senado, enquanto 13% defendem que o ministro renuncie ao cargo. O levantamento foi realizado em meio ao agravamento da crise envolvendo o STF, a Polícia Federal e as investigações sobre o Banco Master.
A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela Globo. O Datafolha ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Segundo o levantamento, 75% dos entrevistados consideram que alguma medida deveria ser tomada contra Alexandre de Moraes.
Além dos 34% que defendem o afastamento temporário e dos 28% que apoiam um processo de impeachment, 13% dizem que o ministro deveria renunciar.
Entre os entrevistados que não defendem nenhuma medida, 7% afirmam que não há nada de errado nas mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro. Outros 5% consideram que o vazamento das conversas foi ilegal.
Confira os resultados:
34% - afastamento temporário para investigação;
28% - processo de impeachment pelo Senado;
13% - renúncia ao cargo;
7% - nada, porque não há nada de errado nas mensagens;
5% - nada, porque o vazamento das conversas foi ilegal;
13% - não souberam responder.
A pesquisa também mediu o grau de conhecimento da população sobre o episódio. 26% disseram estar bem informados, enquanto 33% afirmaram estar mais ou menos informados.
Outros 7% se consideram mal informados e 32% disseram não ter tomado conhecimento do caso.
A crise ganhou força após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a um contato que os investigadores atribuem a Alexandre de Moraes.
O material se tornou público em 1º de setembro por determinação do ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master no STF.
Além das mensagens, o relatório menciona encontros entre Vorcaro e Moraes e pedidos de orientação e proteção feitos pelo empresário diante do avanço das investigações.
Como o conteúdo foi extraído do celular de Vorcaro, o relatório reúne as mensagens enviadas pelo ex-banqueiro, mas não apresenta eventuais respostas de Moraes.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que o documento fosse considerado nulo. O plenário do STF deverá analisar o caso e definir os próximos passos, de acordo com o g1.
O episódio provocou uma escalada de tensão entre integrantes do Supremo e também atingiu o comando da Polícia Federal.
Em 3 de setembro, Moraes utilizou relatórios internos de inteligência da PF para apontar possíveis irregularidades na atuação de Mendonça.
Entre as suspeitas levantadas estavam, em tese, improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e possível favorecimento político na condução das investigações relacionadas aos casos Master e INSS.
Os próprios documentos, porém, continham ressalvas de que as informações não tinham valor probatório.
Moraes pediu que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news, que na época estava sob sua relatoria. Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento ilegal pela PF e questionou a forma como os relatórios foram produzidos.
Posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, retirou o pedido do inquérito das fake news e assumiu a relatoria do caso.
A disputa também chegou ao comando da Polícia Federal. Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.
O ministro alegou que havia sido submetido a monitoramento ilegal.
No dia seguinte, Flávio Dino determinou a reintegração dos dois diretores. Fachin posteriormente suspendeu tanto a decisão de afastamento quanto a de reintegração, mantendo Rodrigues no cargo enquanto solicitava explicações ao diretor-geral da PF.
Em manifestação enviada ao presidente do STF, Rodrigues negou que a corporação tenha monitorado Mendonça. Segundo ele, os relatórios foram produzidos regularmente pela área de inteligência e encaminhados a Moraes em cumprimento de uma ordem judicial.
Fachin convocou para terça-feira (15) uma sessão extraordinária do plenário do STF para discutir o relatório sobre as mensagens de Vorcaro e Moraes e os desdobramentos do caso.
Apesar da repercussão política do episódio, a maioria dos entrevistados afirma que a revelação das conversas não alterou nem deverá alterar seu voto para presidente.
De acordo com o Datafolha, 85% disseram que não mudaram e não devem mudar o voto por causa do caso. Outros 7% afirmaram que não mudaram de posição, mas ficaram em dúvida.
Apenas 4% disseram ter mudado de ideia sobre o voto para presidente, enquanto outros 4% não souberam responder.
Os números indicam que, embora a crise tenha provocado forte debate sobre a atuação do Supremo e de seus ministros, o episódio ainda apresenta impacto limitado sobre as escolhas eleitorais declaradas pelos entrevistados.
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