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Como o vírus Nipah surgiu? Entenda a origem da doença que preocupa a Ásia

Doença rara, mas altamente letal, o vírus Nipah volta a preocupar autoridades após novos casos registrados na Índia  |  Foto: Divulgação

Publicado em 29/01/2026, às 09h39   Foto: Divulgação   Érica Sena

Autoridades de saúde da Índia investigam um novo surto do vírus Nipah, identificado recentemente na província de Bengala Ocidental. Pelo menos cinco casos foram confirmados entre profissionais de saúde de um hospital da região, e cerca de 100 pessoas foram colocadas em quarentena.

O avanço da situação levou países vizinhos, como Tailândia, Nepal e Taiwan, a reforçarem protocolos sanitários em aeroportos, diante do risco de disseminação, como citado pela Agência Brasil.

Apesar do alerta, especialistas afirmam que é improvável que o Nipah evolua para uma pandemia, como ocorreu com a covid-19. O vírus é considerado zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos, e apresenta formas de contágio mais limitadas.

O que é o vírus Nipah

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Nipah pode causar desde infecções assintomáticas até doenças respiratórias graves e encefalite fatal. A taxa de letalidade varia entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade local de resposta do sistema de saúde.

O infectologista Benedito Fonseca, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que fatores ambientais, culturais e as próprias características do vírus reduzem seu potencial de espalhamento global.

Origem e histórico dos surtos

O vírus foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de suínos na Malásia. Desde 2001, casos quase anuais vêm sendo registrados em Bangladesh e, de forma recorrente, no leste da Índia.

Foto: Divulgação

O principal reservatório natural do Nipah são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, que não apresentam sintomas da doença.

Como ocorre a transmissão

A transmissão pode acontecer por contato direto com animais infectados, especialmente porcos, pelo consumo de alimentos contaminados por secreções de morcegos ou, em alguns casos, de pessoa para pessoa, principalmente em ambientes hospitalares. Em surtos anteriores, a transmissão entre humanos representou parcela significativa dos casos.

Sintomas e diagnóstico

Os primeiros sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e vômitos. Em quadros mais graves, há comprometimento neurológico, com encefalite, convulsões e risco de coma. O período de incubação varia de quatro a 14 dias, podendo chegar a 45 dias.

O diagnóstico costuma ser desafiador, já que os sinais iniciais são inespecíficos, sendo confirmados por exames laboratoriais como RT-PCR e testes sorológicos.

Tratamento e prevenção

Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico contra o Nipah. A recomendação da OMS é o tratamento intensivo de suporte, especialmente para complicações respiratórias e neurológicas.

Sem imunização disponível, a prevenção se baseia em reduzir a exposição ao vírus, evitando o consumo de frutas ou sucos possivelmente contaminados, o contato com animais doentes e a aproximação desprotegida de pessoas infectadas. A OMS reforça que informação e vigilância continuam sendo as principais armas contra a doença.

Classificação Indicativa: Livre


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