Política
Publicado em 03/09/2026, às 16h00 Foto: Alessandro Dantas/PT Amanda Ambrozio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (3) a atuação de senadores da oposição contra a PEC que prevê o fim da escala 6x1.
A proposta, apoiada pelo governo, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na quarta-feira (2) e agora aguarda votação no plenário da Casa.
Sem citar diretamente o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN), Lula fez referência ao parlamentar ao mencionar o “coordenador da campanha do meu opositor”.
Marinho é responsável pela coordenação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e se posiciona contra o texto atualmente em discussão.
Segundo Lula, o senador atuou para dificultar o avanço da proposta, que estabelece uma jornada de trabalho de cinco dias por semana e limite de 40 horas semanais, em substituição ao modelo tradicional de seis dias trabalhados por um de descanso.
Em uma publicação nas redes sociais, Lula afirmou que a população deveria saber quais parlamentares trabalham pela aprovação da mudança e quais tentam impedir a medida.
Ontem o Brasil testemunhou, mais uma vez, quem é quem no Congresso Nacional. Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6x1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço…
— Lula (@LulaOficial) September 3, 2026
“É importante que o Brasil saiba quem está trabalhando para avançar com essa mudança e quem está tentando impedir uma conquista que pode garantir um dia a mais de descanso sem redução de salário”, afirmou o presidente.
Lula também criticou os argumentos utilizados por setores contrários à redução da jornada. Segundo ele, há uma repetição histórica de previsões de prejuízo econômico sempre que novos direitos trabalhistas são discutidos.
“As justificativas são as de sempre. Se a gente aprovar, o Brasil ‘quebra’. Do mesmo jeito que ia ‘quebrar’ quando os trabalhadores conquistaram o direito às férias. Quando tiveram direito ao 13º. Uma história que se repete desde os tempos do fim da escravidão”, escreveu.
A proposta estabelece a redução da jornada sem diminuição da remuneração dos trabalhadores. O texto também prevê mudanças na organização semanal do trabalho, com a intenção de ampliar o período de descanso.
A PEC foi aprovada pela CCJ em uma votação simbólica. Dos 27 senadores presentes, quatro se manifestaram contrariamente à proposta: Rogério Marinho, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Jaime Bagattoli (PL-RO) e Tereza Cristina (PP-MS).
Marinho é autor de uma proposta alternativa que defende um modelo de horário de trabalho flexível. O senador tem argumentado que a redução da jornada precisa considerar as características de diferentes setores da economia e os possíveis impactos para empresas e trabalhadores.
A oposição, portanto, não é necessariamente contrária à discussão sobre mudanças na jornada, mas defende alternativas diferentes do texto que avançou na CCJ.
Apesar da aprovação na comissão, a proposta ainda não foi incluída na pauta do plenário do Senado nesta semana. Segundo o SBT News, o governo pretende acelerar a tramitação para tentar votar a matéria antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), articula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a realização de uma sessão específica para analisar a PEC antes do início do período eleitoral.
O próximo esforço concentrado do Congresso está previsto para a segunda semana de outubro, o que poderia dificultar a votação antes das eleições caso uma sessão extraordinária não seja marcada.
No plenário, por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a PEC precisará de 49 votos entre os 81 senadores em dois turnos de votação para ser aprovada.
Depois de passar pelo Senado, o texto ainda precisará seguir o rito de tramitação na Câmara dos Deputados antes de entrar em vigor. Por alterar a Constituição, a proposta exige aprovação em dois turnos nas duas Casas do Congresso Nacional.
A mudança na escala de trabalho se tornou uma das principais pautas relacionadas aos direitos trabalhistas no Congresso.
O modelo 6x1, no qual o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e tem um dia de descanso, é alvo de críticas de movimentos que defendem maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Os defensores da redução da jornada afirmam que a medida pode ampliar o tempo de descanso e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
Já os críticos alertam para possíveis impactos sobre custos empresariais, funcionamento de setores que operam continuamente e organização das escalas.
A discussão deve ganhar novos contornos durante a tramitação no Senado, especialmente diante das propostas alternativas apresentadas pela oposição e da tentativa do governo de acelerar a votação da PEC.
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