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Gestão Nunes demolirá viadutos de acesso à Zona Leste após tombamento do Centro de SP

A remoção dos viadutos aguarda um estudo sobre os efeitos no trânsito da cidade; erro em decreto de quase 20 anos poderá impedir obra  |  Foto: Reprodução

Publicado em 30/08/2026, às 14h00   Foto: Reprodução   Amanda Ambrozio

Dois viadutos que fazem a ligação entre a região central de São Paulo e a Zona Leste estão previstos para ser demolidos durante a requalificação do Parque Dom Pedro II.

As estruturas 25 de Março e Antônio Nakashima serão substituídas por uma via de mão dupla, com semáforos e circulação no mesmo nível das demais áreas do entorno.

A mudança faz parte do projeto de concessão do parque, que prevê investimentos de R$ 717 milhões e busca reorganizar o sistema viário e reduzir as barreiras urbanas existentes na região.

A intervenção, porém, ainda passa por estudos técnicos para avaliar os possíveis impactos no trânsito. O trabalho está sendo realizado pelo consórcio Novo Dom Pedro, responsável pela administração do espaço.

Viaduto 25 de Março estava protegido por erro no tombamento

Um dos obstáculos para a demolição foi resolvido no início de agosto, quando o Conpresp retirou o Viaduto 25 de Março da lista de estruturas protegidas pelo tombamento do centro histórico da capital.

O viaduto estava incluído no decreto havia quase duas décadas por causa de um erro na documentação. Segundo a Folha de S. Paulo, a estrutura acabou sendo confundida com outra construção localizada na Rua 25 de Março.

O bem que deveria constar na relação de imóveis protegidos é um pequeno túnel de pedra situado na própria Rua 25 de Março, utilizado para a passagem sob a Avenida Rangel Pestana.

Com a correção, a Prefeitura de São Paulo abriu caminho para executar a intervenção prevista no projeto de requalificação do parque.

Foto: Reprodução/Prefeitura de SP
Foto: Reprodução
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Como ficará o trânsito após a demolição?

Além do Viaduto 25 de Março, também está prevista a retirada do Viaduto Antônio Nakashima, que atualmente recebe os veículos no sentido contrário, do bairro para o Centro.

No lugar das duas estruturas, será construída uma via de mão dupla semaforizada em nível. Uma nova ponte sobre o Rio Tamanduateí deverá conectar um trecho interrompido da Avenida Rangel Pestana.

No sentido Zona Leste, a nova ligação terá conexão com a Avenida Celso Garcia, criando uma alternativa à Radial Leste para chegar a bairros como Brás, Belém e Tatuapé.

O eixo formado pelas avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia também funciona como corredor de ônibus e pode ganhar importância com o processo de adensamento urbano previsto para a região.

Estudos ainda avaliam impacto no trânsito

A demolição dos viadutos gera preocupação sobre os efeitos da mudança na circulação de veículos, principalmente por se tratar de uma ligação entre o Centro e uma das regiões mais populosas da cidade.

Segundo Ciro Biderman, diretor do FGV Cidades, podem ocorrer impactos localizados no trânsito, mas a tendência é que os efeitos sejam reduzidos no contexto de uma cidade em que motoristas já utilizam aplicativos de navegação para buscar rotas alternativas.

O especialista avalia que a requalificação do parque pode trazer mais benefícios do que prejuízos para a cidade, especialmente pela criação de uma área pública de lazer em uma região atualmente pouco utilizada pela população.

“Será um parque com o seu uso típico, para fazer piquenique, ficar na beira do espelho d'água. Espero que consigam mantê-lo relativamente limpo. Falta muito parque em São Paulo. Há um grave problema de ausência de espaços públicos”, afirmou.

Parque poderá ganhar novos espaços para lazer e eventos

Com a retirada das estruturas viárias, uma área maior poderá ser incorporada ao parque. Uma das possibilidades discutidas é a realização de eventos, embora a concessionária afirme que essa não seja a finalidade exclusiva da intervenção.

Segundo o consórcio Novo Dom Pedro, a reorganização viária também pretende facilitar a circulação de pedestres e ciclistas entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a estação de metrô localizada na região.

As mudanças devem ainda facilitar o acesso a uma futura parada de BRT, sistema de transporte rápido por ônibus que está em construção.

A concessionária informou que os estudos sobre os impactos no trânsito ainda estão em desenvolvimento e serão posteriormente encaminhados aos órgãos públicos responsáveis pela análise.

Prefeitura aguarda conclusão dos estudos

A Prefeitura de São Paulo confirmou que aguarda os estudos técnicos da concessionária antes de definir eventuais medidas relacionadas ao trânsito durante a execução do projeto.

A administração municipal também destacou que a retirada dos viadutos faz parte de uma solução urbanística prevista no projeto de requalificação do parque e que a correção realizada pelo Conpresp foi necessária para adequar a documentação do tombamento à estrutura que deveria estar protegida.

A reforma será realizada pelo consórcio Novo Dom Pedro, liderado pelo grupo RZK, dentro do contrato de concessão do Parque Dom Pedro II.

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