Política

Haddad questiona imagens usadas para apurar abordagem de motorista

Candidato ao governo de SP, Haddad, diz que investigação precisa analisar câmeras que possam comprovar o relato do funcionário  |  Foto: Reprodução/Vídeo

Publicado em 17/08/2026, às 21h55   Foto: Reprodução/Vídeo   Andrezza Souza

segunda-feira (17/8) que há uma “inconsistência grave” na apuração sobre a suposta abordagem da Polícia Militar ao motorista de sua campanha. Para o petista, a investigação precisa analisar as imagens das câmeras instaladas nos pontos capazes de registrar o trajeto e a ação relatada pelo funcionário.

“Você pode investigar cem câmeras, mil câmeras. Nós estamos levando para o delegado quais as câmeras que estão instaladas e poderiam comprovar a narrativa do motorista”, disse Haddad.

O candidato questionou o uso de imagens que, segundo ele, não mostram o momento apontado pelo motorista. “Eu tenho que pegar a imagem certa”, afirmou. Para Haddad, uma gravação que apenas registra a passagem ou parada de uma viatura não é suficiente para confirmar ou descartar o relato.

O motorista foi chamado para prestar depoimento na Polícia Civil nesta segunda-feira, quase uma semana após o episódio. Haddad afirmou que considera haver uma “inversão dos fatos” na condução do caso.

Governo diz que imagens não indicam perseguição

O episódio ocorreu na noite da última terça-feira (11/8), depois que o motorista deixou Haddad em sua residência, no Planalto Paulista, zona sul da capital. Segundo o candidato, o veículo teria sido acompanhado por uma viatura durante parte do trajeto.

Haddad relatou que o motorista ficou assustado com a situação. Segundo ele, havia policiais armados dentro da viatura.

Após o relato, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) determinou que a Polícia Militar identificasse as equipes que circulavam pela região. A secretaria informou que mais de 70 câmeras foram analisadas e que as imagens não apontaram abordagem ou perseguição.

No domingo (16/8), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que os elementos reunidos até então indicavam uma possível falsa comunicação de crime.

“A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo porque se houvesse algum problema, algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente. Mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no final das contas, de uma falsa comunicação”, afirmou.

Tarcísio também disse que a investigação considerou o GPS das viaturas. Segundo ele, uma das equipes passou pela rua onde Haddad mora e, posteriormente, seguiu para o estacionamento do batalhão. Outra viatura teria passado pelo hotel sem parar ou abordar o motorista.

O caso ainda está sob investigação da Polícia Civil. Se for concluído que houve comunicação falsa de crime, o motorista poderá responder pelo delito. Segundo o Código Penal, a conduta pode resultar em detenção de um a seis meses ou multa.

Mensagens registraram relato do motorista

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Mensagens enviadas pelo motorista durante a noite do episódio também fazem parte dos elementos divulgados sobre o caso. O conteúdo, obtido pelos colunistas Ramiro Brites e Vinícius Passarelli, do Metrópoles, registra o funcionário informando que teria sido seguido por uma viatura da PM.

“Não quero deixar vocês preocupados e nem quero esticar esse assunto até o chefe. Mas fui seguido por uma viatura da PM”, escreveu.

A mensagem foi enviada cerca de uma hora depois de o motorista deixar Haddad em casa. Antes disso, às 21h48, ele havia informado ao advogado que estava em casa.

Imagens de câmeras de segurança também registraram a chegada do candidato à residência. Na gravação, uma viatura passa pela rua pouco antes de o carro que levava Haddad chegar ao local. Depois, o veículo estaciona em frente ao prédio, enquanto um carro preto aparece nas proximidades.

A gravação, porém, não mostra uma eventual abordagem dos policiais nem permite visualizar o suposto acompanhamento do motorista após deixar o candidato.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) também acompanha o caso e deu cinco dias para que o governo Tarcísio apresente explicações sobre a apuração.

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