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Justiça libera venda de apartamentos em prédio de luxo que ficou dois anos embargado no Itaim Bibi

Prédio de luxo construído sem alvará teve obras regularizadas após pagamento de multa milionária e volta a ser comercializado em São Paulo  |  Foto: Reprodução/Prefeitura

Publicado em 01/08/2026, às 09h30   Foto: Reprodução/Prefeitura   Andrezza Souza

A Justiça de São Paulo autorizou a retomada da comercialização dos apartamentos de um edifício de alto padrão localizado no Itaim Bibi, na zona oeste da capital. O empreendimento havia sido impedido de vender unidades desde 2023, quando foi constatado que a construção avançou sem o alvará de execução exigido pela legislação municipal.

A nova decisão foi proferida nesta sexta-feira (31) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que suspendeu a restrição à venda e à divulgação comercial das unidades. O entendimento foi de que o empreendimento já regularizou as pendências urbanísticas junto à Prefeitura e está em fase final de conclusão.

A liberação ocorre dez dias após a Justiça também autorizar a retomada das obras do prédio, que permaneceram embargadas por cerca de dois anos.

Regularização ocorreu após multa de R$ 29,4 milhões

Foto: Pexels

Para conseguir regularizar o empreendimento, a construtora responsável precisou comprovar o pagamento de R$ 29,4 milhões ao município. O valor corresponde à multa aplicada em razão da ausência dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), exigidos para edificações inseridas na Operação Urbana Faria Lima.

Após a quitação da pendência e a apresentação da documentação exigida, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento emitiu o Certificado de Regularização, além dos alvarás necessários para a continuidade das obras.

Ao analisar o recurso da construtora, o desembargador responsável pelo caso considerou que impedir a comercialização das unidades até a emissão do certificado final de conclusão seria uma medida desproporcional, já que o edifício está praticamente concluído.

Caso ganhou repercussão em 2023

O empreendimento passou a ser alvo de investigação em 2023, quando veio à tona que seus 19 pavimentos haviam sido erguidos sem o alvará de execução, em uma das regiões com o metro quadrado mais valorizado da capital paulista.

Na época, a Prefeitura de São Paulo e o Ministério Público chegaram a pedir judicialmente a demolição da construção e a suspensão das vendas dos apartamentos. O pedido de demolição foi rejeitado, mas a Justiça determinou o embargo da obra, proibiu a ocupação do edifício e impediu a comercialização das unidades.

Durante as investigações, representantes da construtora admitiram que os títulos urbanísticos obrigatórios não haviam sido adquiridos antes do início da obra. O caso também levou a Prefeitura a instaurar sindicâncias internas para apurar possíveis falhas na fiscalização, resultando, posteriormente, na demissão de um servidor municipal.

Empreendimento segue em fase final

Com a nova decisão judicial, o edifício poderá voltar a anunciar e vender os apartamentos enquanto aguarda a emissão do Certificado de Conclusão, etapa considerada iminente pelo Tribunal de Justiça.

Localizado a cerca de 300 metros da Avenida Faria Lima, o prédio teve sua estrutura principal concluída antes mesmo da descoberta das irregularidades e agora segue para a fase final das obras após a regularização urbanística.

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