Política
Publicado em 17/09/2026, às 18h00 Divulgação Bernardo Rego
Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino proferida nesta quinta-feira (17) determina que a Polícia Federal e a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) instaure um processo de investigação para entender a suposta relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com as concessionárias que administram o serviço funerário do município de São Paulo.
"Determino à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que contemple a concessionária Cemitérios e Crematórios SP, vinculada ao Grupo Maya e as demais sociedades a ela relacionadas no levantamento prioritário das informações", escreveu o ministro.
A decisão foi tomada após matérias jornalísticas revelarem que o ministro André Mendonça, antigo relator do caso Master, ter tido um encontro com Vorcaro em março de 2025. Em uma outra decisão noticiada pelo Bnews SP Dino mostrou haver indícios da participação de André Mendonça, através do Instituto Iter, tenha firmado contrato de R$ 380.000,00 sem licitação com a Prefeitura de SP em setembro de 2025, além de outro contrato de cerca de R$ 1,63 milhão com a FDE do Governo de SP.
Na semana passada, Mendonça confirmou a reunião com o ex-banqueiro e disse que o tema do encontro foi a tramitação de uma ação na qual o Master discutia no STF créditos de precatórios de fundos ligados ao banco.
Flávio Dino ressaltou que a apuração deverá envolver somente a suposta relação entre o Master e as concessionárias e não poderá alcançar Mendonça sem que haja autorização do presidente do STF, Edson Fachin. “Desde logo, esclareço ser vedado qualquer ato investigativo que possa atingir o ministro André Mendonça, pois este encaminhamento compete exclusivamente ao presidente do STF junto ao colegiado”, lembrou.
"Há indicações de que empresas integrantes do grupo econômico de Daniel Vorcaro figurariam como titulares fiduciárias da totalidade das ações da concessionária Cemitérios e Crematórios SP, vinculada ao Grupo Maya, em garantia a operações de crédito concedidas pelo Banco Master no montante de R$ 78 milhões", escreveu Dino em um trecho da sua decisão que o Bnews SP teve acesso.
"Esse conjunto de elementos reforça os indícios da existência de vínculos entre o conglomerado econômico associado ao Banco Master e outra concessionária de cemitério alcançada pelos efeitos desta ADPF 1196, somando-se às informações já conhecidas acerca da concessionária Cortel, na qual Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, exerceu função de conselheiro", pontuou Dino.
Dino citou uma cobrança indevida para a realização de um sepultamento onde foi cobrado R$ 12 mil para sepultar um recém-nascido.
"Os elementos disponíveis nos autos apontam para a cobrança de valores incompatíveis com a tabela tarifária aplicável, bem como para a comercialização de serviços e produtos funerários sem respaldo contratual ou regulatório. Entre os episódios noticiados, destaca-se a emblemática cobrança de R$ 12.000,00 pelo sepultamento de um recém-nascido no Cemitério da Saudade, associada à não disponibilização da tabela oficial de preços ao usuário", esclareceu o ministro.
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