Política
Publicado em 26/10/2026, às 20h00 Foto: Reprodução Andrezza Souza
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado em um inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas.
A decisão foi encaminhada à Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (26), com determinação de cumprimento imediato. Moraes também ordenou o cancelamento de todos os passaportes do senador, incluindo o diplomático, e sua inclusão no sistema de alerta migratório da corporação, para impedir que deixe o Brasil.
Flávio tem 24 horas para entregar os documentos às autoridades. A restrição de contato com Tomaz vale tanto para comunicações diretas quanto para aquelas feitas por intermediários.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz são investigados no inquérito que apura possíveis operações de lavagem de dinheiro relacionadas a empresas do setor de apostas.
O advogado também foi alvo da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Na sexta-feira (23), Moraes determinou a quebra dos sigilos de empresas ligadas a Tomaz e o bloqueio de bens e valores de até R$ 6 bilhões.
Investigadores apontam que o advogado deixou o Brasil em agosto, com destino a Miami, nos Estados Unidos, e não há registro de retorno. A apuração também considera o risco de destruição de provas relacionadas a negócios mantidos no exterior.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que recebeu a notificação depois de sair da casa do pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. O senador declarou que entregaria os passaportes e contestaria a medida.
“Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, disse.
A decisão foi tomada um dia depois de Flávio perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista recebeu 51,79% dos votos, enquanto o senador ficou com 48,21%.
Na noite da votação, Flávio afirmou que pediria a anulação do resultado, alegando irregularidades na prorrogação do horário de votação. Nesta segunda-feira, aliados passaram a defender outra estratégia: pedir a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin, sob a alegação de abuso de poder político e econômico.
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