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OAB-SP anula suspensão de Deolane Bezerra como advogada

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Câmara recursal identificou irregularidades no processo disciplinar; cadastro da advogada ainda aparece suspenso no sistema nacional  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Redes Sociais
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 26/10/2026, às 18h40



A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) anulou a suspensão que impedia Deolane Bezerra de exercer a advocacia no estado. A decisão foi tomada pela 8ª Câmara Recursal após recurso apresentado pela defesa e divulgada nesta segunda-feira (26).

O colegiado identificou irregularidades na determinação do Tribunal de Ética e Disciplina (TED), que suspendeu a advogada em 24 de junho. A medida tinha efeito imediato e prazo inicial de 90 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período.

Apesar da anulação, a inscrição de Deolane ainda constava como suspensa no Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) até a publicação da reportagem do Metrópoles. A decisão deve ser cumprida nos próximos dias.

Defesa questionou procedimento

Ao contestar a suspensão, os representantes de Deolane alegaram que a medida foi aplicada sem garantir o contraditório e o direito de defesa.

Procurada pelo Metrópoles, a OAB-SP informou que apura as infrações de que toma conhecimento, mas ressaltou que os processos disciplinares são sigilosos. A reportagem também procurou o advogado da influenciadora, mas não recebeu resposta até a publicação.

Advogada é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro

Deolane está presa preventivamente desde 22 de maio e é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro, associação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e envolvimento com o tráfico de drogas. Ela está detida no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista.

A decisão da OAB-SP trata exclusivamente da suspensão profissional e não altera a situação prisional da advogada.

Entenda a investigação

A apuração começou em 2019, após policiais penais apreenderem bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, em São Paulo. Os manuscritos continham informações sobre a estrutura do PCC, suas lideranças e possíveis ataques contra agentes públicos.

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou referências a uma mulher ligada a uma transportadora, suspeita de levantar endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento de ataques.

A apuração levou à Operação Lado a Lado, deflagrada em 2021. De acordo com o Metrópoles, os investigadores apontaram que a transportadora seria utilizada como braço financeiro da facção e identificaram movimentações incompatíveis com a atividade econômica declarada.

Na operação, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane e possíveis vínculos com um dos gestores da empresa investigada.

As suspeitas integram a investigação criminal e não representam, por si só, uma condenação.

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