Política
Publicado em 10/08/2026, às 13h45 Daniel Vorcaro era dono e controlador do Banco Master, até ser preso em novembro de 2025 - Foto: Divulgação Banco Master/Reprodução Amanda Ambrozio
Reforçada pelo criminalista Daniel Bialski, a defesa de Daniel Vorcaro pretende reformular a estratégia jurídica no caso Master e retomar as negociações para uma possível terceira proposta de delação premiada.
A intenção é reconstruir a relação da defesa com o Supremo Tribunal Federal (STF) e levar as tratativas novamente ao ponto inicial, inclusive no relacionamento com o ministro André Mendonça, relator do caso.
Segundo a CNN Brasil, a proximidade entre Mendonça e Bialski foi um dos fatores que pesaram na contratação do novo advogado.
A defesa também solicitou a ampliação do horário destinado às visitas dos advogados a Vorcaro.
O objetivo é permitir até seis horas diárias de despachos com o banqueiro para revisar detalhadamente os acontecimentos relacionados ao caso e discutir os próximos passos da estratégia.
Bialski se juntou à equipe de Sérgio Leonardo, advogado que acompanha Vorcaro há mais tempo e liderou a segunda tentativa de delação.
No entanto, a contratação do novo criminalista começou a ser discutida meses atrás por integrantes da família e pessoas próximas ao banqueiro.
Antes de formalizar a mudança, Vorcaro participou de reuniões e discutiu estratégias jurídicas com os advogados.
A demora para assinar contratos e documentos que oficializariam a contratação chegou a gerar dúvidas entre os profissionais sobre a efetivação da mudança.
As negociações também enfrentaram resistência de Sérgio Leonardo, amigo de longa data de Vorcaro e único criminalista que permaneceu na defesa depois da saída de outros escritórios envolvidos no caso.
Leonardo chegou a sugerir que advogados sondados por Vorcaro atuassem nos bastidores, sem que seus nomes fossem divulgados publicamente.
Bialski já defendeu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e atuou em casos criminais de grande repercussão, incluindo a Operação Lava Jato.
Segundo o material, Bialski se reuniu com Vorcaro e acertou sua atuação perante o STF em conjunto com Sérgio Leonardo.
O principal objetivo seria tentar destravar novamente as negociações para uma delação premiada.
A estratégia também considera o relacionamento entre Bialski e o ministro André Mendonça.
Nos bastidores, atritos entre o relator e José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, são apontados como um dos fatores que teriam contribuído para o fracasso da primeira tentativa de colaboração de Vorcaro.
O banqueiro também chegou a negociar com a equipe de Cezar Bitencourt, advogado que atuou na delação do tenente-coronel Mauro Cid. A equipe seria formada ainda por Vânia Adorno Bitencourt e Jair Alves Pereira.
Essa negociação chegou a avançar, mas perdeu força depois que reportagens divulgaram Bitencourt como possível novo advogado do caso.
Daniel Vorcaro já apresentou duas propostas de delação premiada, ambas rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A primeira proposta, rejeitada formalmente em maio de 2026, foi considerada superficial e sem informações aprofundadas sobre possíveis aliados políticos.
A segunda, apresentada após mudanças na equipe jurídica, foi rejeitada em junho.
Segundo os relatos, a proposta não apresentava fatos inéditos nem provas consideradas suficientes além do material já obtido pelos investigadores em celulares e outros dados apreendidos.
Caso uma nova tentativa avance, a expectativa é de que ela seja mais abrangente do que as anteriores. A estratégia seria afastar a percepção de que Vorcaro estaria omitindo informações relevantes das autoridades.
De acordo com interlocutores, Vorcaro não abandonou o interesse em colaborar com as investigações.
A intenção seria apresentar informações sobre políticos que, segundo ele, teriam recebido recursos para acobertar fraudes relacionadas ao Banco Master.
A possível terceira tentativa, no entanto, ainda depende das negociações entre defesa e autoridades. O ministro André Mendonça também ainda não analisou formalmente a nova movimentação relacionada à colaboração.
Enquanto isso, a defesa pretende utilizar as longas reuniões com Vorcaro para reconstruir a estratégia jurídica, revisar as propostas anteriores e avaliar quais informações poderiam sustentar uma possível nova delação.
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