Política
Publicado em 27/05/2026, às 11h56 Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil Amanda Ambrozio
O presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, Nelson Matias, comentou sobre as recentes investidas legislativas que buscam restringir o evento.
Durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (26), Matias criticou duramente o projeto de lei aprovado em primeira votação pela Câmara Municipal, que proíbe a presença de crianças e adolescentes na celebração, e assegurou: “vai ter criança, sim”.
Segundo o G1, A Parada celebra seu 30º aniversário em 2026 e está marcada para o dia 7 de junho na Avenida Paulista.
Com o tema “A rua convoca, a urna confirma”, a Parada busca reforçar seu caráter político e democrático, a posicionando como um espaço de resistência e defesa de direitos fundamentais em um ano de mobilização eleitoral.
O PL nº 50/2025, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil), obriga que eventos com temática LGBTQIA+ ocorram apenas em espaços fechados, proíbe a ocupação de vias públicas e impõe classificação indicativa para maiores de 18 anos. O descumprimento pode gerar multas de até R$ 1 milhão.
Especialistas e advogados constitucionalistas classificam a proposta como inconstitucional e discriminatória.
Para Flávio Crocce Caetano, da OAB-SP, o texto fere o direito dos pais de decidirem sobre a criação de seus filhos e cria restrições seletivas que impactam a isonomia. O projeto ainda depende de uma segunda votação e da sanção do prefeito para entrar em vigor.
Para Matias, o evento transcende o caráter celebrativo: “A Parada nunca foi construída como um grande evento. É um ato de resistência, espaço de defesa da democracia e dos direitos humanos”, afirmou.
Apesar de ser a maior parada do mundo, o evento enfrenta obstáculos financeiros. A estimativa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) aponta uma movimentação econômica de R$ 466,2 milhões, uma queda de 15% em relação ao ano anterior.
O número de trios elétricos caiu de 17 para 14, reflexo do recuo de patrocinadores por medo ou pressão política.
Artistas como Gloria Groove e Melody estão confirmadas, sendo que alguns nomes abriram mão de cachê para viabilizar o evento.
A cantora Pabllo Vittar também criticou publicamente o apoio de fachada de empresas que mudam fotos de perfil em junho, mas retiram investimentos reais na comunidade diante de discursos conservadores.
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