Política
Publicado em 02/10/2026, às 11h30 Ex-vereador Milton Leite - Foto: Divulgação/ALESP Amanda Ambrozio
O União Brasil de São Paulo enfrenta um período de desorganização interna após a prisão do ex-vereador Milton Leite, principal liderança política do partido no estado.
A ausência do dirigente na reta final da campanha, a pouco mais de uma semana do primeiro turno, tem provocado incertezas entre candidatos, assessores e integrantes da estrutura partidária.
Relatos apontam dificuldades na condução das atividades administrativas e eleitorais do partido.
Apesar disso, os filhos de Milton, o deputado federal Alexandre Leite e o deputado estadual Milton Leite Filho, tentam manter o funcionamento da legenda durante o período eleitoral.
“Está todo mundo perdido. Ele era um grande líder. Por mais que o Alexandre e o Miltinho estejam tocando brilhantemente o partido, demora um tempo até cair a ficha do pessoal do administrativo, financeiro e jurídico”, afirmou um parlamentar.
Outro político próximo ao ex-vereador classificou o momento como “caótico” e disse haver falta de direcionamento entre os candidatos.
Formalmente, Alexandre Leite é o presidente do diretório estadual do União Brasil em São Paulo, enquanto Milton Leite ocupa o cargo de tesoureiro. A própria legenda confirma Alexandre como presidente e Milton como tesoureiro em sua estrutura oficial.
No entanto, segundo membros do partido, Milton exercia forte influência sobre as decisões políticas do diretório paulista. Com a prisão, os filhos passaram a assumir parte das articulações na reta final da campanha.
A assessoria de Alexandre Leite afirmou que os trabalhos do partido “seguem normalmente quanto ao cumprimento do planejado pelo partido”.
O deputado não respondeu diretamente aos questionamentos da imprensa.
Além das dificuldades administrativas, integrantes do partido demonstram preocupação com o desempenho eleitoral dos dois filhos de Milton Leite.
Alexandre Leite disputa uma vaga de deputado estadual neste ano, depois de exercer mandato como deputado federal. Já Milton Leite Filho busca uma cadeira na Câmara dos Deputados, deixando a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Os dois são considerados importantes puxadores de votos dentro das chapas do União Brasil. Por isso, aliados avaliam que uma eventual queda no desempenho eleitoral da família pode afetar também outros candidatos da legenda.
A prisão ocorreu em plena reta final da campanha, aumentando a pressão sobre a estrutura política construída por Milton Leite ao longo de décadas.
Segundo o portal Metrópoles, reportagens anteriores também apontaram que a prisão abriu discussões sobre o espaço político ocupado pelo grupo dentro do partido e da Câmara Municipal de São Paulo.
Entre aliados do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, existe a expectativa de que um pedido de habeas corpus seja analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
A defesa de Milton Leite ainda não se pronunciou sobre o caso.
O ex-vereador foi preso após se apresentar à polícia no dia 18, na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes.
Ele era considerado foragido desde a deflagração da Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
A operação investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista. Milton nega envolvimento com os fatos e afirma que pretende provar sua inocência.
No dia 23 de setembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Milton Leite.
Os advogados argumentaram que a prisão deveria ser revogada por supostas nulidades processuais e falta de justa causa.
Segundo a defesa, o ex-vereador não participa diretamente dos diálogos citados na investigação e não aparece entre os contatos de José Daniel Satilite, apontado pelos investigadores como operador e suposto integrante da estrutura ligada ao PCC.
A investigação segue em andamento.
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