Política
Publicado em 28/06/2026, às 15h00 Foto: Reprodução Amanda Ambrozio
O vereador paulistano Senival Moura (PT-SP) solicitou o afastamento de suas funções partidárias com o objetivo de concentrar esforços em sua defesa jurídica e evitar a associação dos desdobramentos policiais à imagem do PT.
A decisão foi formalizada por meio de uma nota pública emitida pelo presidente do diretório municipal, Hélio Rodrigues.
O pedido de licença ocorreu após posicionamentos anteriores do partido, que já havia anunciado o encaminhamento do caso ao seu Conselho de Ética para a avaliação de medidas disciplinares cabíveis.
Em manifestação oficial, a direção municipal do Partido dos Trabalhadores e instâncias correlatas reforçaram que não compactuam com práticas ilícitas.
A sigla defendeu que todas as denúncias passem por uma apuração rigorosa conduzida pelas autoridades competentes.
A prisão do parlamentar, que exercia a presidência da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal de São Paulo, foi efetuada durante a Operação Última Parada.
A ação conjunta reuniu equipes da Polícia Civil do Estado de São Paulo e promotores do Ministério Público (MP-SP) para desmantelar um suposto esquema de ocultação de capitais e lavagem de dinheiro operado por meio da concessionária de transporte coletivo Transunião.
A empresa em questão gerencia cerca de 50 linhas de ônibus situadas na Zona Leste da capital paulista.
De acordo com o portal Metrópoles, o vereador atuaria como uma espécie de sócio oculto da companhia rodoviária.
A tese acusatória é baseada em interceptações telefônicas e relatórios de inteligência financeira nos quais suspeitos faziam menção a repasses monetários direcionados ao político, utilizando codinomes como "extrema", "veio" e "presidente" para ocultar sua real identidade.
Apurações do Deic indicam que desentendimentos sobre a gestão das verbas da Transunião deterioraram as relações no grupo.
O parlamentar chegou a sofrer ameaças por supostos desvios, contornadas após o ressarcimento dos valores.
O diretor da empresa e operador ligado ao vereador, Adauto Soares Jorge, foi executado a tiros na Zona Leste em 2020, crime que deu início à investigação.
O Ministério Público sustenta que o homicídio foi motivado por quebra de confiança financeira.
A acusação aponta que verbas da concessionária eram desviadas para um caixa dois destinado à campanha de reeleição do parlamentar, desfalcando os repasses da organização.
A ordem para a execução teria partido de lideranças encarregadas da contabilidade do grupo.
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