Polícia

Vereador preso em operação que investiga lavagem de dinheiro do PCC teria sido condenado à morte pela facção

Afonso Braga/CMSP
Vereador teria sido poupado por influência política e capacidade de ressarcir o prejuízo  |   BNews SP - Divulgação Afonso Braga/CMSP
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 26/06/2026, às 07h28



Preso no âmbito da Operação Última Parada na quinta-feira (25), o vereador Senival Pereira de Moura (PT) teria sido condenado à morte pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), mas acabou perdoado por conta da sua influência política e capacidade de ressarcir parte dos prejuízos financeiros atribuídos a ele pelos criminosos. As informações são do G1. 

Essa conclusão está nos documentos apresentados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) à Justiça para lastrear operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A.

De acordo com as investigações, a crise começou após integrantes do PCC desconfiarem da administração financeira de Adauto Soares Jorge, então diretor-presidente da Transunião e apontado pelas autoridades como representante de Senival na empresa.

Adauto Soares foi morto a tiros em março de 2020 no estacionamento de uma padaria no bairro do Lajeado, na Zona Leste de São Paulo. Segundo o MP, integrantes do PCC descobriram que Adauto desviava recursos da empresa para abastecer um "caixa dois" destinado à campanha de reeleição de Senival em 2020 e, ao mesmo tempo, deixava de fazer repasses que seriam de interesse da facção.

Diante da suspeita de desvios, o operador do PCC Leonel Moreira Martins, conhecido como "Cabeça Branca", teria sido encarregado de resolver a questão por meio de um "debate" — nome dado pela facção aos seus julgamentos internos, conhecidos como "tribunal do crime".

Segundo o MP-SP, ao fim desse julgamento clandestino, tanto Adauto quanto Senival teriam sido "condenados à morte" pelo PCC. Como contrapartida ao perdão, Senival teria sido obrigado a concordar com a execução de Adauto.

Em nota, a defesa de Senival afirmou que "recebeu com profunda indignação a notícia da decretação de sua prisão temporária no âmbito de investigação em curso."

Confira a nota na íntegra:

"A medida causa enorme surpresa, sobretudo porque foi determinada em um momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral, circunstância que inevitavelmente desperta questionamentos e exige que todos os fatos sejam rigorosamente esclarecidos pelas autoridades competentes.

O vereador reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte.

Desde o primeiro momento, sua defesa técnica está adotando todas as providências jurídicas cabíveis para ter acesso integral aos autos, compreender os fundamentos da decisão e apresentar os esclarecimentos necessários, exercendo plenamente o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa.

Senival Pereira de Moura sempre pautou sua trajetória pública pelo compromisso com a população, pela transparência e pelo respeito às instituições democráticas. Por isso, recebe a investigação com serenidade, certo de que a verdade prevalecerá."

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