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"Quem governa, quem foi eleito, sou eu", diz Nunes ao defender megashows em SP

Prefeito afirma que grandes eventos geram emprego, renda e arrecadação, critica entraves e cobra autonomia para conduzir políticas públicas  |  Foto: Montagem Bnews São Paulo/Carolina Papa/Pexels/Maor Attias

Publicado em 27/07/2026, às 19h14   Foto: Montagem Bnews São Paulo/Carolina Papa/Pexels/Maor Attias   Andrezza Souza, Carolina Papa

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) voltou a defender a realização de megashows internacionais gratuitos na Avenida Paulista e fez críticas ao impasse que ainda impede a ampliação do calendário de grandes eventos na capital. 

Em coletiva de imprensa realizada no Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura, o prefeito afirmou que a administração municipal precisa ter autonomia para definir políticas públicas e disse que a responsabilidade pela gestão da cidade é exclusivamente do Executivo.

Ao comentar as discussões envolvendo o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que regulamenta os grandes eventos na Avenida Paulista, Nunes afirmou que respeita a atuação do Ministério Público e do Judiciário, mas criticou o que considera interferências que dificultam a realização dos shows.

"Tem gente que acha que a decisão pessoal dela é de que não deve ter o show e impõe à Prefeitura condições que, do meu ponto de vista, com muito respeito, não deve fazê-lo. Por quê? Porque quem é o prefeito sou eu. Sou eu, sou o prefeito", declarou.

O prefeito reforçou que os órgãos de controle têm papel importante na fiscalização da administração pública, mas afirmou que a definição das políticas públicas cabe ao gestor eleito.

"O promotor tem que fiscalizar, ele tem que fazer a sua função, e se eu fizer alguma coisa errada, ele tem que me cobrar (...). Mas quem governa, quem foi eleito, sou eu. Eu fui eleito. E quem vai ser cobrado de tudo sou eu", afirmou.

Megashows como estratégia para impulsionar a economia

Foto: Pexels/Samuel Phillips

Durante a coletiva, Ricardo Nunes voltou a defender a realização de grandes apresentações gratuitas na cidade. Segundo ele, além de democratizar o acesso da população à cultura, os eventos movimentam diversos setores da economia e fortalecem a arrecadação municipal.

O prefeito afirmou que a cidade já colhe resultados positivos de ações voltadas ao turismo e à economia e que pretende ampliar essa estratégia com eventos de grande porte.

"A gente vai fomentando a economia, vai deixando a economia bastante saudável", disse ao comentar o projeto de trazer à capital apresentações semelhantes às promovidas pelo programa "Todo Mundo no Rio".

Ao justificar a importância dos megashows, Nunes também fez referência à própria história e defendeu que pessoas de baixa renda tenham acesso a atrações internacionais.

"Fazer o evento aqui na cidade, além de dar um direito às pessoas pobres de poder terem acesso a um grande show que jamais teriam, como eu não tive quando morava lá na periferia, quero dar essa oportunidade para as pessoas, também gerar emprego e renda na cidade e a arrecadação, para poder, com essa arrecadação, atender todas as demandas que falei para você", afirmou.

"As pessoas não me deixam fazer"

Foto: Carolina Papa

Ao defender os eventos, Ricardo Nunes relacionou o aumento da arrecadação à manutenção dos serviços públicos municipais. Segundo ele, administrar São Paulo exige recursos para manter escolas, hospitais, unidades de saúde, limpeza urbana, iluminação pública e infraestrutura funcionando diariamente.

"Eu tenho que cuidar da cidade, tenho que definir as questões das políticas públicas da cidade. Eu tenho a responsabilidade de colocar 1 milhão e 30 mil alunos todo dia na escola, pagar os 86 mil professores, dar uniforme, material escolar, 2 milhões de refeições todos os dias, coletar 12 mil toneladas de lixo, manter 19 mil quilômetros de ruas asfaltadas, cuidar dos hospitais, das UBS e das UPAs", disse.

Na sequência, o prefeito voltou a reclamar dos obstáculos enfrentados pela administração municipal.

"Mas as pessoas não me deixam fazer aquilo que entendo que seja importante", declarou.

Segundo Nunes, quando algum serviço público apresenta falhas, a responsabilidade recai sobre a Prefeitura, e não sobre os órgãos fiscalizadores.

"Quando o promotor vai lá e fala que não pode ter isso aqui, na hora que faltar um remédio lá, sabe quem vai culpar? Eu. Na hora que faltar uma merenda na escola, ele vai culpar? Eu. Então, ficar de um lado só apontando o dedo e cobrando responsabilidade é fácil", afirmou.

Entenda o impasse

A declaração do prefeito ocorre em meio às negociações para ampliar o número de grandes eventos realizados na Avenida Paulista. Desde 2007, a via está autorizada a receber apenas três eventos anuais de grande porte: a Parada do Orgulho LGBT+, a Corrida Internacional de São Silvestre e o Réveillon. A Prefeitura pretende elevar esse limite para até seis eventos por ano, permitindo a realização de dois megashows internacionais gratuitos.

Para isso, a administração municipal negocia alterações no TAC firmado com o Ministério Público. Entre os principais pontos contestados está a cláusula de "custo zero ao erário", que determina que patrocinadores arquem integralmente com despesas como cachês, montagem, limpeza e segurança privada.

A gestão Ricardo Nunes argumenta que essa exigência é inviável, já que serviços públicos como operação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), alterações no transporte coletivo pela São Paulo Transporte (SPTrans), atuação da Guarda Civil Metropolitana e infraestrutura urbana fazem parte das atribuições do município e geram custos inevitáveis.

Além disso, a Prefeitura sustenta que as condicionantes foram incluídas durante a análise do acordo sem a anuência do município e pede que elas sejam tratadas como recomendações, e não como exigências obrigatórias. O recurso ainda aguarda análise do Conselho Superior do Ministério Público.

U2, Coldplay e Rolling Stones seguem sem definição

Enquanto o impasse jurídico continua, a realização de megashows internacionais gratuitos em São Paulo permanece indefinida.

Nos bastidores, artistas como U2, Coldplay, Foo Fighters e Rolling Stones chegaram a ser cogitados para uma apresentação na Avenida Paulista, em um projeto inspirado no "Todo Mundo no Rio", que levou artistas como Madonna, Lady Gaga e Shakira à Praia de Copacabana.

Classificação Indicativa: Livre


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