Política
Publicado em 28/05/2026, às 06h00 Foto: Magnific/krakenimages.com Andrezza Souza
Os casos de suicídio e autolesão entre crianças e adolescentes aumentaram de forma significativa no Brasil nos últimos dez anos, segundo dados do Atlas da Violência divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O levantamento reúne informações sobre mortes e internações relacionadas a lesões autoprovocadas entre jovens de 10 a 19 anos.
De acordo com o estudo, a taxa nacional de suicídios nessa faixa etária passou de 2,4 mortes por 100 mil habitantes em 2014 para 3,4 em 2024, crescimento de 41,7% no período analisado.
Em números absolutos, o país registrou 1.002 mortes de crianças e adolescentes por suicídio em 2024. Apesar de o total ser menor do que o registrado em 2023, os dados permanecem acima dos índices observados há uma década.
Além do aumento nos suicídios, o levantamento também aponta crescimento expressivo das internações por lesões autoprovocadas entre jovens.
A taxa nacional passou de 3,7 internações por 100 mil habitantes em 2014 para 6,4 em 2024, avanço de 73% no período.
Segundo o Atlas da Violência, os estados da região Norte concentram algumas das maiores taxas de suicídio entre adolescentes no país.
Roraima lidera o ranking nacional em 2024, com taxa de 14,2 mortes por 100 mil jovens. Na sequência aparecem Amazonas, com 7,7, Amapá, com 7,5, Tocantins, com 6,9, e Rondônia, com 6,0.
O relatório aponta que desigualdades estruturais ajudam a explicar os números mais elevados em determinadas regiões. Entre os fatores citados estão pobreza, isolamento geográfico, fragilidade das redes de proteção social e dificuldade de acesso a serviços especializados em saúde mental.
Os dados também revelam crescimento importante das internações em estados como Mato Grosso do Sul, Paraíba, Amazonas e Alagoas.
O Atlas da Violência relaciona o avanço das autolesões e da ideação suicida ao agravamento do sofrimento mental entre adolescentes nos últimos anos.
Segundo o estudo, fatores como cyberbullying, pressão social, sensação de pertencimento, conflitos interpessoais, ansiedade, depressão e isolamento têm contribuído para ampliar a vulnerabilidade emocional dos jovens.
O relatório também destaca que episódios de violência autoinfligida geralmente fazem parte de um processo mais amplo, ligado a situações de negligência, fragilidade nas relações familiares e ausência de proteção adequada durante a infância e adolescência.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende em todo o território nacional pelo número 188. Em situações de necessidade, as pessoas podem buscar apoio com um dos mais de 4 mil voluntários que atuam em diferentes regiões do país.
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