Política
Publicado em 11/03/2026, às 22h07 Foto: Divulgação/Agência SP. Bianca Novais
Um programa pioneiro em São Paulo tem usado tecnologia para impedir que agressores voltem a se aproximar de mulheres protegidas por medidas judiciais. A estratégia combina tornozeleiras eletrônicas, monitoramento policial em tempo real e um aplicativo com botão do pânico para as vítimas.
Segundo informações divulgadas pela Agência SP, o projeto começou em setembro de 2023 e permite que a Polícia Militar acompanhe, 24 horas por dia, a localização de homens investigados ou acusados de violência doméstica que receberam medida protetiva da Justiça.
Desde a implantação, 1.198 agressores já foram monitorados e 123 acabaram presos por descumprirem a ordem de afastamento ou tentarem se aproximar das vítimas.
Após a audiência de custódia, o Judiciário pode determinar o uso da tornozeleira eletrônica. A partir daí, o agressor passa a ser acompanhado pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).
O sistema cria um perímetro de segurança ao redor da vítima, que pode incluir a residência, o local de trabalho e até casas de familiares. Se o agressor entrar nessa área proibida, um alerta é disparado automaticamente para a central da PM.
A tecnologia também envia aviso se o monitorado tentar romper o equipamento, deixar a bateria descarregar ou sair do município por mais de oito dias sem autorização judicial.
Quando a notificação aparece no sistema, policiais acionam viaturas próximas e entram em contato com a vítima para orientar e garantir a segurança.
Além do monitoramento eletrônico do agressor, o programa também oferece suporte direto às vítimas. O aplicativo SP Mulher Segura possui um botão do pânico que pode ser acionado em caso de risco.
Ao pressionar o botão, a central da Polícia Militar recebe um alerta com a localização da vítima e envia uma viatura para atendimento imediato.
A tecnologia já ajudou a evitar novos episódios de violência. Em um caso relatado pela Polícia Militar, um homem que havia recebido tornozeleira eletrônica voltou à casa da ex-companheira no dia seguinte à audiência de custódia.
O sistema identificou a aproximação, enviou o alerta ao Copom e policiais conseguiram localizar o agressor antes que algo mais grave acontecesse.
Para os agentes envolvidos no monitoramento, a rapidez da resposta pode fazer a diferença entre evitar uma agressão ou lidar com uma tragédia.
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