Política
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 12/06/2026, às 09h23
Um incidente com material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), dentro da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste de São Paulo, é alvo de investigação pela Autoridade Nacional de Segurança (ANSN). O caso foi confirmado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) nesta quinta-feira (11).
Dois trabalhadores do Ipen foram expostos ao isótopo radioativo tecnécio-99, usado na medicina nuclear. Eles tiveram EPIs contaminados durante o manuseio de insumos para radioterapia.
De acordo com a Cnen, o caso aconteceu no dia 22 de maio e foi relatado uma semana depois, no dia 29, por meio do Relatório de Ocorrência Interna (ROI) nº 04/2026. O caso foi motivo de cobranças por parte de entidades que representam servidores do instituto.
O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) afirmaram que a ocorrência teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica. Houve ainda a retenção de roupas utilizadas por funcionários que estariam envolvidos no episódio.
Os servidores passaram por exames com um contador de corpo inteiro, equipamento utilizado para identificar a presença de material radioativo no organismo. De acordo com a comissão responsável, os níveis registrados foram baixos e indicaram a ausência de contaminação interna. Segundo o relatório, a contaminação permaneceu restrita à área controlada do Centro de Radiofarmácia do Instituto.
Conforme a ANSN, foram pedidas mais informações ao instituto para verificar dos fatos. A investigação segue em andamento e, ainda, não há informações adicionais a serem divulgadas, afirmou a entidade.
O Sindsef-SP e a Assipen declararam que aguardam esclarecimentos oficiais sobre o suposto material radioativo, o número de trabalhadores potencialmente atingidos, quais os níveis de contaminação e as providênciaas adotadas para conter a ocorrência.
As entidades questionam se parte dos procedimentos de descontaminação foi realizada em áreas não projetadas especificamente para esse tipo de atendimento. Segundo elas, a situação suscita dúvidas sobre a adequação da infraestrutura disponível e a observância dos protocolos de segurança exigidos para casos dessa natureza.
O Ipen fornece radiofármacos usados no diagnóstico e tratamento de pacientes com câncer para cerca de 430 clínicas e hospitais no país.
O instituto também investiga aplicações da tecnologia nuclear em áreas como saúde, meio ambiente, biotecnologia e fontes alternativas de energia.
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