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UE começa a suspender importação de carnes do Brasil; entenda a medida

Restrição europeia ocorre por divergências entre as regras brasileiras e os padrões da UE para uso de antibióticos nas carnes  |  Foto: Magnific

Publicado em 03/09/2026, às 12h25   Foto: Magnific   Amanda Ambrozio

A União Europeia começa a suspender, nesta quinta-feira (3), as importações de carne bovina, aves e mel do Brasil.

A decisão ocorre após a Comissão Europeia concluir que o governo brasileiro não apresentou garantias suficientes de que os produtos atendem às regras do bloco para o uso de antibióticos e outros medicamentos na criação de animais.

A restrição havia sido anunciada em maio, quando o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar esses produtos para a União Europeia. Ainda não há prazo definido para que o país volte a ser habilitado.

Segundo as regras europeias, produtores não podem utilizar determinados medicamentos para acelerar o crescimento dos animais ou aumentar a produção.

O bloco também restringe o uso de alguns antibióticos destinados ao tratamento de infecções em seres humanos, devido ao risco de desenvolvimento de bactérias resistentes.

UE cobra garantias sobre criação dos animais

A Comissão Europeia afirma que as exigências não se limitam à qualidade do produto final, mas envolvem todo o processo de criação dos animais.

A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, afirmou que o bloco busca garantias sobre o cumprimento das regras em todas as etapas da produção. No caso das aves e do mel, uma equipe de especialistas europeus realiza uma auditoria no Brasil, com previsão de conclusão até o fim desta semana.

Os resultados da inspeção ainda serão analisados pelas autoridades europeias antes de serem divulgados. A avaliação poderá contribuir para uma eventual revisão das restrições impostas aos produtos brasileiros.

Foto: Magnific
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Setor de carnes tenta reverter decisão

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o setor continua trabalhando para que o Brasil volte à lista de países autorizados a exportar carne bovina para a União Europeia.

Segundo a entidade, o Ministério da Agricultura já apresentou garantias oficiais sobre o cumprimento das exigências europeias.

A cadeia produtiva também criou um protocolo próprio para controlar o uso de antimicrobianos, desenvolvido em parceria com outras organizações do setor.

A Abiec ressalta que a restrição está relacionada a uma exigência específica da União Europeia para os países que fornecem produtos ao bloco e, segundo a associação, não representa uma alteração na qualidade, na segurança ou na condição sanitária da carne bovina produzida no Brasil.

Segundo o SBT News, a entidade informou ainda que mantém negociações com o governo brasileiro e representantes europeus para tentar restabelecer a autorização para as exportações.

CNA pede resposta do governo brasileiro

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também criticou a medida e pediu ao governo brasileiro uma reação comercial.

O presidente da entidade, João Martins, enviou um ofício ao Itamaraty solicitando o acionamento do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões, instrumento que permite ao Brasil buscar compensações comerciais quando medidas adotadas por outros países prejudicam produtos brasileiros.

Entre as possibilidades está a suspensão de benefícios tarifários concedidos a produtos europeus. Para a CNA, a restrição pode provocar prejuízos ao agronegócio brasileiro.

Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina e de frango para a União Europeia movimentaram aproximadamente US$ 1,8 bilhão.

CNA questiona qualidade de azeites europeus

Além de pedir uma resposta comercial à decisão da União Europeia, a CNA solicitou ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre a qualidade e a classificação dos azeites de oliva importados e comercializados no Brasil, principalmente os vendidos como extravirgens.

O pedido não menciona diretamente a União Europeia. No entanto, 89% das quase 90 mil toneladas de azeite importadas pelo Brasil em 2025 vieram de países do bloco, principalmente Portugal, Espanha e Itália.

No mesmo período, as importações brasileiras de azeite desses mercados movimentaram cerca de US$ 540 milhões.

A iniciativa da CNA ocorre em meio à tentativa do setor agropecuário de pressionar o governo brasileiro por uma resposta à decisão europeia e reduzir os impactos comerciais provocados pela suspensão das exportações.

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