Entretenimento
por Amanda Ambrozio
Publicado em 06/06/2026, às 14h47
A minissérie de drama da Netflix "A Testemunha (The Witness)" é a segunda produção mais vista na plataforma na sexta-feira (5), ficando atrás apenas do documentário "Michael Jackson – O Veredito".
Com apenas três episódios, a obra de ficção reconstrói um dos casos criminais de maior repercussão na história recente do Reino Unido: o homicídio de Rachel Nickell, ocorrido em 1992 no parque Wimbledon Common, em Londres.
A produção foca na trajetória de André Hanscombe e de seu filho, Alex, que tinha apenas dois anos quando presenciou o assassinato da mãe e atuou como consultor direto das obras.
O objetivo das produções, segundo os familiares, foi ir além da cobertura superficial feita pela imprensa na época.
Em depoimento, Alex Hanscombe destacou que a intenção era homenagear a resiliência, a esperança e o processo de cura da família ao longo de décadas de sofrimento.
A cronologia do caso revela uma sucessão de erros cometidos pelas autoridades, de acordo com o Tangerina.
Diante da pressão pública por respostas após o crime, a polícia concentrou suas suspeitas em Colin Stagg, um morador local desempregado, mesmo sem qualquer evidência forense que o ligasse à cena.
Para tentar obter uma prova, as autoridades montaram uma operação secreta utilizando uma policial disfarçada para atraí-lo a uma confissão por meio de um suposto relacionamento amoroso.
A estratégia falhou e, em 1994, o julgamento foi anulado por um juiz que classificou a ação policial como uma conduta enganosa.
Absolvido, Stagg processou o Estado e recebeu uma indenização de 706 mil libras (cerca de R$ 4,8 milhões) em 2008, além de um pedido formal de desculpas da polícia.
O verdadeiro responsável pelo crime foi identificado apenas anos mais tarde.
Robert Napper, um estuprador em série que já cumpria pena em um hospital psiquiátrico de segurança máxima pelos assassinatos de Samantha Bisset e sua filha em 1993, foi denunciado por novos testes de DNA e confessou o assassinato de Rachel Nickell em 2008.
Diagnosticado com esquizofrenia paranoide, Napper, atualmente com mais de 60 anos, permanece detido por tempo indeterminado no hospital de Broadmoor.
Na época da condenação, a Corregedoria da Polícia britânica admitiu publicamente que o criminoso poderia ter sido preso antes caso falhas graves de triagem e erros na análise de denúncias anteriores não tivessem ocorrido durante as investigações dos anos 1990.
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