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Cães geneticamente modificados podem não causar alergia, diz startup

Foto: Reprodução/Walker et al., The Crispr Journal (2026)
Startup americana utiliza edição genética para criar cães que não produzem proteína associada a reações alérgicas em humanos  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Walker et al., The Crispr Journal (2026)
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 12/09/2026, às 06h30



Uma startup de biotecnologia dos Estados Unidos afirma ter criado cães geneticamente modificados que não produzem uma proteína ligada a reações alérgicas em humanos. O experimento foi realizado com dois beagles usando a técnica de edição genética CRISPR.

A Kindred Companion Sciences, empresa sediada em Nova York, anunciou o resultado no início de agosto. Os pesquisadores alteraram o gene Can f 1, responsável pela produção de uma das principais proteínas associadas à alergia a cães.

A informação foi publicada originalmente pelo The New York Times e reproduzida pela Folha de S.Paulo. Especialistas ouvidos pela publicação afirmam que ainda são necessários mais estudos para confirmar os resultados e avaliar possíveis efeitos sobre a saúde dos animais.

Experimento

O trabalho começou com células caninas. Por meio do CRISPR, os cientistas desativaram o gene Can f 1 e transferiram o material genético alterado para embriões usando uma técnica de clonagem.

Os embriões foram implantados em uma beagle, que serviu como mãe de aluguel. Assim nasceram Alfie e Bailey, hoje com quase dois anos.

Segundo a Kindred, nenhum dos dois apresentou vestígios do alérgeno analisado. Bailey foi adotado pelo CEO da empresa, Matt Walker, que tem alergia a cães e afirma não ter apresentado reações ao conviver com o animal.

A empresa também diz que os dois animais apresentam desenvolvimento normal. O resultado, porém, foi obtido em apenas dois exemplares, o que ainda não permite avaliar como a alteração funcionaria em uma quantidade maior de animais.

A proposta tenta resolver um problema que as chamadas raças hipoalergênicas não eliminam. Mesmo animais que soltam pouco pelo produzem proteínas presentes na pele, na saliva e na urina capazes de provocar sintomas em pessoas alérgicas.

Questões sobre a edição genética

Os pesquisadores ainda precisam acompanhar os animais por mais tempo. Alterações no DNA podem apresentar efeitos que não aparecem nos primeiros anos de vida ou que só sejam identificados quando um grupo maior for analisado.

O experimento também levanta discussões sobre o uso da biotecnologia para modificar animais de acordo com necessidades humanas. Especialistas lembram que a reprodução seletiva já contribuiu para o surgimento de doenças hereditárias e características físicas prejudiciais em algumas raças.

Outro ponto envolve os animais utilizados durante o processo. Pesquisas desse tipo podem exigir doadores de óvulos e mães de aluguel, o que amplia a discussão sobre bem-estar animal.

Também há questionamentos sobre a criação de novos animais para companhia diante do número de cães abandonados ou sem acesso adequado a cuidados.

A edição genética também pode ser estudada para tratar doenças. Em 2022, pesquisadores demonstraram ser tecnicamente possível corrigir uma mutação relacionada a problemas no quadril de labradores. Os especialistas, entretanto, destacam que muitas doenças têm diferentes fatores genéticos e ambientais e não podem ser resolvidas com a alteração de um único gene.

Por enquanto, Alfie e Bailey são os únicos animais apresentados pela Kindred nesse projeto. A empresa afirma que eles estão saudáveis, mas reconhece que o trabalho ainda está em fase inicial.

Classificação Indicativa: Livre

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