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Vídeo: Richarlison expõe documentos e acusa Flávio Bolsonaro de tomar ilha em Angra

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Jogador Richarlison afirma ter investido R$ 10 milhões no imóvel e contesta transferência dos direitos de ocupação; senador nega envolvimento no caso  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Vídeo
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 21/10/2026, às 22h30



O atacante Richarlison publicou um vídeo nas redes sociais nesta quarta-feira (21) para apresentar documentos sobre a disputa pelos direitos de ocupação de um imóvel de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O jogador acusa o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de atuar com o advogado Willer Tomaz para tomar a área após uma tentativa frustrada de negociação.

Segundo Richarlison, ele investiu cerca de R$ 10 milhões na aquisição dos direitos de ocupação do imóvel a partir de 2020, por meio de uma empresa da qual é sócio. O atacante afirma que se recusou a vender a propriedade a Flávio e, depois disso, perdeu os direitos que reivindicava sobre o local.

Flávio nega envolvimento na disputa. Ele visitou o imóvel e foi incluído como testemunha em um processo judicial relacionado à posse.

No vídeo, Richarlison afirmou que os documentos apresentados comprovam a negociação. “Estarei mostrando aqui agora os documentos que comprovam que eu comprei a ilha. Foi tudo na frente do juiz, foi tudo na frente do desembargador do Rio de Janeiro e foi tudo correto”, declarou.

Disputa envolve milhões de reais

Entre os documentos exibidos pelo jogador estão contratos de cessão de direitos possessórios e comprovantes de pagamentos a antigos ocupantes da área. Richarlison afirma que R$ 4,66 milhões foram destinados a essas pessoas. O restante do investimento teria sido usado em reformas e segurança.

O atacante também apresentou números de processos administrativos da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Segundo ele, um pedido de regularização feito em setembro de 2021 levou cerca de dez meses sem conclusão, enquanto uma solicitação ligada ao grupo de Tomaz teria sido concluída em um dia, em julho de 2022.

Como a área pertence à União, a disputa judicial trata dos direitos de posse e ocupação, não da propriedade da ilha.

O conflito chegou à Justiça em 2022, após uma ação de reintegração de posse movida pela empresa M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. contra empresas e pessoas ligadas ao jogador.

Em maio de 2023, a ação principal foi extinta sem análise do mérito. O juiz apontou divergências entre representantes da própria empresa sobre quem mantinha a posse do imóvel. A decisão não definiu quem tinha direito à área nem reconheceu fraude processual.

Em junho de 2025, segundo reportagem de O Globo citada pelo g1, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve entendimento favorável à empresa ligada a Tomaz. O processo consultado pelo g1 foi arquivado definitivamente em janeiro de 2026.

O que dizem Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz?

Em 2022, o senador afirmou que não era parte no processo e que havia sido incluído apenas como testemunha.

Willer Tomaz contestou as acusações e afirmou que os documentos apresentados pelo jogador demonstram pagamentos a posseiros, e não à proprietária que considera legítima. O advogado também questionou os valores citados por Richarlison, alegando que a empresa ligada ao atacante declarou nos autos ter desembolsado R$ 2,6 milhões.

Em nota, Tomaz afirmou que há escritura registrada, certidão da SPU e decisões judiciais favoráveis ao grupo que representa. Também declarou que Richarlison responde a um processo em Brasília por acusações que considera infundadas e que um inquérito sobre o negócio foi arquivado por ausência de indícios de crime.

O jogador, por sua vez, afirma que pretende continuar buscando a recuperação do imóvel ou dos valores investidos. Ele também cobra investigação sobre possíveis irregularidades na regularização da área. Uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) foi apresentada pelo coletivo Derrubando Muros para pedir a apuração do caso.

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