Esportes
por Amanda Ambrozio
Publicado em 07/07/2026, às 15h01
A seleção masculina de futebol dos Estados Unidos deu adeus à Copa do Mundo de 2026 após ser goleada pela Bélgica por 4 a 1 nas oitavas de final. A partida foi disputada no Estádio de Seattle na última segunda-feira (6).
Apesar de abrir o placar com Malik Tillman, a equipe norte-americana não resistiu à pressão dos belgas, que viraram e ampliaram com gols de Charles De Ketelaere (duas vezes), Hans Vanaken e Romelu Lukaku.
O resultado eliminou o último país coanfitrião que restava na competição, evidenciando o abismo que ainda separa os EUA das principais potências do futebol global.
A derrota escancara um paradoxo: embora os EUA sejam uma potência olímpica incontestável e liderem o quadro histórico de medalhas em modalidades como atletismo, natação e basquete, o desenvolvimento do "soccer" masculino caminha em passos lentos.
A melhor campanha histórica do país em Copas do Mundo masculinas ocorreu há quase um século, com um terceiro lugar na edição inaugural de 1930, segundo o UOL.
O principal obstáculo para a consolidação do futebol em solo norte-americano é cultural.
De acordo com dados consolidados pela consultoria Gallup, o futebol americano segue como a modalidade esportiva favorita de 41% dos adultos no país, ao passo que o futebol tradicional é a escolha principal de apenas 5% da população.
Essa disparidade de interesse dita o direcionamento dos investimentos de mídia, patrocínios e engajamento do público jovem desde a infância.
Apesar de contar com uma base massiva de praticantes na juventude, o modelo de negócios do esporte cria exclusão.
O sistema juvenil funciona predominantemente sob o formato privado conhecido como pay-to-play (pagar para jogar), que gera um custo médio anual de US$ 1.188 por família.
Esse alto investimento financeiro elitiza o acesso e afasta talentos de comunidades de baixa renda.
A estrutura de formação esportiva dos Estados Unidos é historicamente centralizada no ambiente escolar e universitário (high school e college).
Esse ecossistema atende perfeitamente aos requisitos de maturação física para atletas da NFL (futebol americano) e da NBA (basquete), mas atrasa o processo de profissionalização precoce que o futebol de elite internacional exige, onde atletas costumam estrear profissionalmente antes dos 18 anos.
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