Polícia
A descoberta de um suposto passaporte de Eliza Samudio em território europeu reacendeu um caso que, mesmo após mais de uma década, continua cercado de dúvidas e comoção.
A informação veio à tona nesta segunda-feira, quando o Portal Leo Dias divulgou que o documento teria sido localizado em um imóvel de aluguel em Portugal no fim do ano passado.
O reaparecimento inesperado do passaporte trouxe novas especulações sobre um episódio que parecia encerrado.
De acordo com a apuração inicial, o passaporte foi encontrado por um homem que ocupava o apartamento após a devolução do imóvel. O material estava guardado entre livros dispostos em uma estante, o que levantou questionamentos sobre como o documento foi parar ali.
O responsável pela descoberta não teve a identidade revelada, e o caso passou a circular rapidamente nas redes sociais e na imprensa. O simples surgimento do item foi suficiente para reacender debates antigos.
À CNN Brasil, Arlie Moura, irmão de Eliza Samudio, afirmou acreditar que o passaporte seja autêntico. Segundo ele, os dados presentes no documento coincidem com informações pessoais da irmã, como nome completo, filiação e data de nascimento.
Ainda assim, Arlie reforçou que não há confirmação oficial por parte das autoridades brasileiras ou portuguesas. A cautela marca a postura da família diante das novas informações.
Em um relato enviado à reportagem, Arlie disse ter tomado conhecimento do caso exclusivamente pela mídia. Ele ressaltou que não mantém contato frequente com a mãe e que segue aguardando esclarecimentos formais.
O jovem afirmou que acompanha o desdobramento do episódio, mas evita conclusões precipitadas enquanto não houver uma posição oficial.
O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou, por meio de nota, que recebeu o passaporte na última sexta-feira.
Ainda no mesmo dia, o órgão informou ter feito uma consulta oficial ao Itamaraty, em Brasília, para definir quais procedimentos devem ser adotados em relação ao documento. A destinação do material depende agora de orientações diplomáticas e legais.
Enquanto isso, o caso segue em análise, sem confirmação pública sobre a veracidade do passaporte ou sobre possíveis implicações práticas da descoberta. O episódio adiciona mais um capítulo a uma história marcada por lacunas e versões conflitantes.
Eliza Samudio desapareceu em 4 de junho de 2010, após informar amigos que faria uma viagem. A atriz e modelo paranaense tinha 25 anos e nunca mais foi vista. Com o avanço das investigações, ela passou a ser considerada morta, mesmo sem a localização de seus restos mortais.
O desaparecimento rapidamente se transformou em um dos crimes mais emblemáticos do Brasil.
Eliza conheceu o então goleiro Bruno Fernandes de Souza no fim de 2008, no Rio de Janeiro. À época, ele vivia o auge da carreira como titular do Flamengo.
O relacionamento entre os dois era extraconjugal, e a gravidez de Eliza, tornada pública em 2009, gerou forte repercussão. Bruno negou a paternidade inicialmente, o que intensificou os conflitos.
Durante a gestação, Eliza registrou ocorrências policiais relatando ameaças. O filho, Bruninho, nasceu em fevereiro de 2010. Poucos meses depois, em junho, a jovem desapareceu.
Investigações indicaram que ela esteve em um sítio ligado ao ex-goleiro, em Minas Gerais. No local, a polícia encontrou roupas e fraldas, enquanto a criança foi localizada posteriormente em Belo Horizonte.
Diversos envolvidos foram condenados e apresentaram versões sobre o crime, indicando que Eliza teria sido assassinada e esquartejada. No entanto, nenhuma prova material definitiva foi encontrada.
Bruno foi condenado a 20 anos de prisão, acusado de planejar o crime, embora nunca tenha confessado a premeditação. A ausência do corpo mantém o caso envolto em mistério até hoje.
Classificação Indicativa: Livre