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Caso Gisele: Defesa de tenente-coronel pede sigilo no processo após exposição no Fantástico

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Advogado do tenente-coronel alega que a TV Globo divulgou imagens do policial contra sua vontade  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 14/10/2026, às 14h45 - Atualizado às 14h50



A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa Gisele Alves Santana com um tiro na cabeça no apartamento onde moravam no bairro do Brás, região central de São Paulo, pediu à Justiça que seja decretado o sigilo do processo após o policial ter a sua imagem exposta no programa Fantástico da TV Globo. As informações são do colunista Alfredo Henrique do portal Metrópoles. 

O advogado Eugênio Malavasi, que defende o tenente-coronel, afirmou que a imagem do seu cliente no interrogatório foi desrespeitada no último dia 5, quando foi veiculada pela imprensa.

O documento, ao qual a coluna teve acesso, cita especificamente o programa Fantástico, da TV Globo, exibido no domingo (11). Segundo a defesa, a reportagem mostrou imagens do tenente-coronel mesmo depois de ele ter manifestado à Justiça que não autorizava a exposição.

Família e Gisele questiona pedido

O advogado Miguel Silva, que defende a família de Gisele, disse em entrevista ao colunista que a e a família da soldado se “opõe firmemente” ao pedido de sigilo feito pelo coronel.

“O desconforto do acusado com a repercussão do caso não pode justificar a restrição ao direito da sociedade à informação. A proteção da imagem não deve servir de pretexto para impedir o escrutínio público. Seguiremos cobrando transparência, verdade e justiça por Gisele”, afirmou.

Imagens do coronel

Na petição, Malavasi sustenta que a imagem de Geraldo Neto, preso e usando uniforme carcerário, foi explorada de maneira vexatória.

A defesa também questiona o fato de o programa ter ocultado os rostos de policiais militares, bombeiros e outros servidores públicos, mas mantido visível o do acusado.

“A imagem do acusado foi espetacularizada”, afirma o advogado, que também menciona a divulgação de gravações de câmeras corporais, trechos de laudos periciais e do áudio da ligação feita pelo coronel ao Copom no dia da morte da esposa.

Diante da exposição, a defesa solicitou que a Justiça restrinja o acesso aos autos para preservar o direito de imagem do oficial, com fundamento na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Além do sigilo, Malavasi apresentou sete pedidos à Justiça, entre eles o acesso integral aos dados extraídos dos celulares apreendidos. O advogado questiona a suposta supressão de contexto de mensagens de WhatsApp incluídas em um laudo pericial.

Relembre o caso

Um dos pontos analisados pelos investigadores havia sido o comportamento do tenente-coronel logo após a ocorrência.

Segundo relatos registrados na investigação, o oficial teria insistido em tomar banho e trocar de roupa mesmo após o início do atendimento policial.

Entre outros elementos reunidos no inquérito estão registros de mensagens atribuídas ao tenente-coronel que indicariam monitoramento das conversas da policial. As trocas de mensagens fazem parte do material analisado pelos investigadores para entender a dinâmica da relação.

Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. A policial tinha um tiro na cabeça e o caso, inicialmente tratado como suicídio, passou posteriormente a ser investigado como morte suspeita pela Polícia Civil. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima, responde por homicídio qualificado.

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