Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 05/08/2026, às 15h35 - Atualizado às 16h08
O aumento dos casos de violência contra a mulher em São Paulo acende um alerta para um problema que, muitas vezes, começa de forma silenciosa.
Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que o número de feminicídios cresceu 10% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Além dos feminicídios, o estado registrou 7.066 estupros consumados contra mulheres nos seis primeiros meses do ano, o equivalente a uma vítima a cada 37 minutos.
Em entrevista ao BNews São Paulo, a delegada Raquel Gallinati aponta que os números reforçam a necessidade de identificar os primeiros sinais da violência antes que ela evolua para agressões mais graves.
Segundo a delegada, um dos principais desafios no enfrentamento à violência doméstica é fazer com que a própria vítima reconheça que está vivendo uma situação de abuso.
"A violência contra a mulher se dá de forma gradativa, com atos de agressão, muitas vezes silenciosos. Eles evoluem de agressões verbais, psicológicas, contra a dignidade e a honra, até chegarem às agressões físicas, patrimoniais e sexuais", explica.
Ela explica que é comum com que mulheres inseridas em relacionamentos abusivos acabem naturalizando esses comportamentos, especialmente por estarem envolvidas em vínculos afetivos.
"O primeiro desafio é que a vítima enxergue que ali ela está sendo vítima. Muitas vezes existe uma confusão para identificar quais são os limites e quais atos são criminosos dentro daquela relação."
Ela alerta que familiares e amigos costumam perceber mudanças de comportamento antes da própria vítima, como isolamento, medo constante, desconforto e sinais de controle por parte do agressor.
Para Raquel, outro obstáculo no combate à violência contra a mulher é a sensação de impunidade causada pelas punições aplicadas aos agressores e pela falta de uma rede de proteção efetiva após a denúncia.
"São penas muito pífias, praticamente debocham da vítima quando ela denuncia ou solicita uma medida protetiva de urgência", afirma.
Segundo ela, apenas a concessão de medidas protetivas não é suficiente para interromper o ciclo da violência e o Estado precisa garantir acompanhamento contínuo às vítimas.
A delegada ainda ressalta que o enfrentamento à violência de gênero depende de uma atuação conjunta entre segurança pública, assistência social, educação e rede de apoio.
"É essencial que a sociedade como um todo esteja em atuação colaborativa para termos um mundo não tão violento e tão hostil contra as mulheres".
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