Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 13/10/2026, às 16h15
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, afirmou que vive um “pesadelo” desde que foi preso e voltou a negar ter cometido o crime.
O oficial prestou depoimento à Justiça no último dia 6, em um interrogatório que durou cerca de oito horas.
“Para mim, todo dia parece um pesadelo em que eu vou acordar e isso não está acontecendo. Não aguento mais ficar preso”, afirmou ao encerrar o depoimento.
Na ocasião, Geraldo estava havia 202 dias no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Segundo ele próprio, perdeu 16 quilos durante o período de detenção.
O tenente-coronel foi preso cerca de um mês após a morte de Gisele, em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, na região central da capital. Ele responde por feminicídio e fraude processual.
Durante o interrogatório, Geraldo voltou a sustentar que a esposa teria atirado contra a própria cabeça com uma arma dele, encontrada dentro do apartamento, segundo o portal Metrópoles.
Segundo a versão apresentada pelo oficial, a arma estava guardada sobre um guarda-roupa e Gisele teria conseguido pegá-la porque o quarto estava destrancado naquele dia. Ele também afirmou que a soldado não teria aceitado o fim do relacionamento, que, segundo ele, havia sido proposto pelo marido.
“Eu tô preso há 202 dias. Sem ter cometido crime nenhum, doutora. E assim… eu sempre trabalhei honestamente, desde que eu sou criança. Comecei a trabalhar com 10 anos de idade e nunca cometi um crime”, declarou.
O oficial também questionou provas reunidas durante a investigação e chegou a sugerir que marcas encontradas no pescoço da esposa teriam sido provocadas pelo advogado da família da soldado, Miguel Silva, no necrotério, com o objetivo de incriminá-lo.
As dúvidas sobre a hipótese de suicídio surgiram ainda no atendimento inicial à ocorrência, no bairro do Brás. O bombeiro Rodrigo Almeida Rodrigues, com 15 anos de experiência, decidiu adiar por alguns instantes o atendimento emergencial para fotografar a cena com o celular.
Segundo o depoimento prestado à Polícia Civil, o socorrista desconfiou da situação porque a cena não correspondia ao que havia encontrado em outras ocorrências de homicídio, acidentes e suicídios.
O registro fotográfico preservou detalhes do local que passaram a ser analisados durante a investigação. Laudos periciais também levantaram dúvidas sobre a versão apresentada pelo tenente-coronel e apontaram, segundo a apuração, que a dinâmica encontrada seria incompatível com a hipótese de que Gisele tivesse efetuado o disparo contra a própria cabeça.
A soldado foi socorrida e transportada de helicóptero ao Hospital das Clínicas, onde morreu cerca de quatro horas e meia depois de ser baleada.
A versão de Geraldo sobre o fim do relacionamento também é contestada por mensagens trocadas entre ele e Gisele, incluídas no processo que tramita na Justiça de São Paulo.
O tenente-coronel continua negando a autoria do crime, enquanto as provas periciais, os registros fotográficos e as conversas do casal integram os elementos analisados no processo.
Geraldo responde à acusação de feminicídio e fraude processual. A responsabilidade criminal do oficial ainda deverá ser definida pela Justiça.
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