Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 06/10/2026, às 15h00
Um laudo residuográfico elaborado pelo Instituto de Criminalística encontrou resíduos de chumbo nas duas mãos da técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, e na mão esquerda do marido dela, o soldado da Polícia Militar Vinicius Costa Silva, de 26 anos, acusado de sua morte.
Larissa foi encontrada morta com um tiro na cabeça no banheiro do apartamento onde o casal morava, em Embu das Artes, na Grande São Paulo, em 8 de setembro. Inicialmente, o caso foi registrado como morte suspeita depois que o policial afirmou que a esposa havia cometido suicídio.
Com base no conjunto de provas reunidas durante a investigação, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Vinicius pela morte da mulher.
O processo tramita sob segredo de Justiça, de acordo com a CNN Brasil.
Segundo os exames periciais, a trajetória do projétil no crânio de Larissa foi descrita como “de trás para frente e da esquerda para a direita”.
O exame necroscópico também identificou pelo menos 16 equimoses, marcas semelhantes a hematomas, nas mãos, nos pés, nos joelhos e na perna esquerda da vítima.
Os exames fazem parte do conjunto de elementos analisados pela investigação para esclarecer as circunstâncias da morte.
No boletim de ocorrência, Vinicius relatou que chegou ao apartamento por volta das 6h e discutiu com Larissa sobre o fim do relacionamento antes de ir dormir.
O policial afirmou ter acordado depois de ouvir um disparo e encontrado a esposa caída no banheiro, ao lado de seu revólver particular calibre .357.
A família de Larissa, porém, contestou desde o início a hipótese de suicídio. Segundo os familiares, a técnica em radiologia enviou uma mensagem por volta das 9h daquele domingo comunicando o fim do relacionamento, aproximadamente duas horas antes de ser encontrada morta.
Vinicius foi preso temporariamente em 7 de setembro, durante o velório de Larissa. Ele permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.
Durante a apuração, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência da irmã do policial, Thamires Costa Mathias.
Ela estava no apartamento do casal cuidando do filho de dois anos no momento dos fatos. A medida teve como objetivo apurar uma eventual alteração da cena do crime.
A investigação também analisou os elementos encontrados no apartamento e os resultados dos exames periciais realizados após a morte.
Em nota, a defesa de Vinicius, representada pelo advogado Roberto Montanari, nega que o policial tenha cometido o homicídio e sustenta que Larissa tirou a própria vida.
Os advogados também afirmam que Vinicius jamais praticou atos de violência contra a esposa.
A defesa diz ainda que os laudos periciais, na interpretação apresentada pelos advogados, seriam compatíveis com a hipótese de suicídio.
Confira a nota da defesa:
“Em relação aos laudos periciais anexados aos autos, a defesa realizou uma análise criteriosa e técnica dos elementos apresentados. Os documentos, segundo a interpretação da defesa, reforçam a tese de que o Sr. Vinicius não praticou o crime que lhe é atribuído e apontam para uma dinâmica dos fatos compatível com a ocorrência de um suicídio cometido por Larissa. Trata-se, portanto, de uma situação marcada por uma verdadeira tragédia, cujas circunstâncias precisam ser analisadas à luz das provas técnicas produzidas no curso da investigação.”
O caso continua sob investigação e tramita em segredo de Justiça. A acusação do Ministério Público e a versão apresentada pela defesa ainda serão analisadas no decorrer do processo.
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