Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 30/09/2026, às 10h55
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou à Justiça o soldado da Polícia Militar Vinicius Costa Silva, de 26 anos, pelo feminicídio da esposa, a técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.
A Promotoria afirma que os elementos reunidos na investigação contrariam a versão apresentada pelo policial, que sustenta que Larissa teria tirado a própria vida. Na denúncia, o MP pede que Vinicius seja processado, pronunciado e levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O órgão também solicitou a fixação de uma indenização mínima de R$ 100 mil pelos danos causados aos herdeiros da vítima, entre eles o filho de 2 anos do casal.
O crime aconteceu em 6 de setembro, dentro da casa onde Vinicius e Larissa moravam com a criança. O policial foi preso no dia seguinte e permanece detido no presídio militar Romão Gomes, na capital paulista.
Vinicius nega ter cometido o crime. Segundo o policial, Larissa teria cometido suicídio com um tiro na cabeça depois que ele pediu a separação.
No entanto, para o Ministério Público, os exames periciais realizados até agora são incompatíveis com a hipótese de suicídio apresentada pelo soldado.
Na denúncia, a promotora Camila Bonafini Pereira afirma que o exame necroscópico identificou uma trajetória do projétil da esquerda para a direita, enquanto Larissa era destra.
A perícia também apontou que o disparo não foi efetuado com a arma encostada na cabeça. Segundo os elementos reunidos na investigação, o tiro atingiu Larissa pelas costas, enquanto ela estava em pé.
“A versão de suicídio da vítima sustentada pelo denunciado não encontra respaldo nos elementos até então reunidos”, escreveu a promotora na denúncia.
A Promotoria ainda pediu a realização e inclusão de novos exames no processo, entre eles a perícia da arma, exames residuográficos nas mãos de Larissa e Vinicius, análise do local da morte, exame perinecroscópico e registros audiovisuais produzidos durante a perícia.
Além do ferimento provocado pelo disparo, o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) identificou 19 lesões no corpo de Larissa.
O exame apontou equimoses e escoriações em diferentes partes do corpo, incluindo pálpebras, mãos, pés, joelhos, perna e quadril. A causa da morte foi definida como traumatismo craniano provocado pelo ferimento de arma de fogo.
Segundo o g1, Vinicius teria pegado seu revólver Taurus calibre .357 Magnum, entrado no banheiro onde Larissa estava e efetuado o disparo.
Para o Ministério Público, o tiro ocorreu de maneira repentina e inesperada, sem que a vítima tivesse possibilidade de defesa.
A arma utilizada foi localizada sob o corpo de Larissa.
Na avaliação do Ministério Público, o crime deve ser enquadrado como feminicídio, por ter ocorrido no contexto de violência doméstica e familiar.
A denúncia destaca que Vinicius e Larissa mantinham uma relação íntima de afeto, moravam juntos e tinham um filho em comum.
A família da vítima também relatou à investigação episódios de ciúmes excessivos, comportamento possessivo, agressões e ameaças atribuídos ao policial. Os familiares ainda levantaram a possibilidade de uma motivação patrimonial.
Larissa havia recebido imóveis por herança e, segundo os relatos apresentados à investigação, os bens poderiam passar para Vinicius em caso de sua morte.
O Ministério Público pediu ainda a conversão da prisão temporária do policial em prisão preventiva, para que ele permaneça detido durante o processo, caso a Justiça aceite o pedido.
A denúncia foi apresentada na segunda-feira (28). Até a última atualização, a Justiça ainda não havia decidido se aceitaria a acusação. Caso a denúncia seja recebida, Vinicius passará formalmente à condição de réu.
A defesa do policial não foi localizada para comentar a denúncia.
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