Polícia
por Bernardo Rego
Publicado em 02/10/2026, às 07h00
O lutador de jiu-jítsu Leandro Lô Pereira do Nascimento, conhecido como Leandro Lo, foi assassinado com um tiro na cabeça em 2022 durante um show no Clube Sírio, na Zona Sul de São Paulo. O crime chocou e causou comoção em todo o país diante de como se deu a dinâmica do fatos. A vítima tinha 33 anos à época e havia conquistado oito títulos mundiais.
De acordo com as investigações feitas pela Polícia Civil, houve uma discussão entre o atleta e acusado do crime, o tenente da Polícia Militar Henrique Otávio Oliveira Velozo. Ele foi pronunciado pela Justiça e julgado em júri popular, mas acabou absolvido. Segundo as testemunhas arroladas no processo, o policial teria provocado o grupo de Lo e pegado bebidas que estavam sobre a mesa.
Em meio à briga, o atleta teria imobilizado o policiado e retornado para onde estava. O policial teria deixado o local e voltado armado quando atirou contra o atleta na região da cabeça, além de ter chutado a cabeça da vítima. Lo foi encaminhado ao Hospital Municipal Arthur Saboya, mas sofreu morte cerebral na manhã daquele mesmo dia.
O acusado do crime era policial e praticava artes marciais. Ele se apresentou à Corregedoria da PM após o episódio e acabou preso preventivamente. Inicialmente ele foi indiciado por homicídio e posteriormente o Ministério Público apresentou acusação de homicídio triplamente qualificado, incluindo motivo torpe, emprego de arma de fogo e recurso que teria dificultado a defesa da vítima
Em novembro de 2025 o júri popular aconteceu no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, e durou três dias. No dia 14 de novembro de 2025, o Conselho de Sentença, formado por sete jurados, absolveu Henrique Velozo por maioria. A sentença foi lida pela juíza Melanie Liesenberg 1ª Vara do Júri da Capital (SP) e a tese de legítima foi acolhida pelos jurados. Apesar da absolvição na justiça comum, o policial acabou demitido da PM. Há recursos pendentes de julgamento no Tribunal de Justiça de São Paulo, incluindo um habeas corpus protocolado pela defesa do PM. O processo está em segredo de Justiça, por isso não tivemos acesso a algumas decisões.
A mãe de Leandro fez um forte desabafo após a sentença proferida no Tribunal do Júri. "Ontem eu enterrei o Leandro pela segunda vez. Esse é o meu sentimento. O sentimento da gente, porque foi uma tristeza tão grande. A gente foi tão humilhado lá, tão massacrado pela defesa lá, aquele advogado e a bancada dele. Eles o tempo todo provocavam a gente, humilhavam, né? E a gente não podia falar nada. Não podia se manifestar, né? Eu passei mal", escreveu Fátima Lo nas redes sociais à época dos fatos.
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