Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 03/09/2026, às 10h00
Em meio à movimentação de ruas, estações, ônibus e semáforos de São Paulo, uma distração de poucos segundos pode ser suficiente para que um celular desapareça.
Uma pequena distração basta para que um aparelho seja retirado do bolso ou da bolsa sem que a vítima perceba, arrancado de suas mãos ou levado após a quebra do vidro de um veículo.
Embora as modalidades sejam diferentes, investigações policiais recentes mostram que determinados grupos desenvolvem estratégias específicas para escolher vítimas, executar a ação e fugir rapidamente.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho de 2026, foram registrados no Brasil, em 2025, 792.284 roubos e furtos de celulares, envolvendo 830.890 aparelhos.
A cidade de São Paulo concentrou 20% dos casos registrados no país, apesar de representar cerca de 5,6% da população brasileira.
Na capital, foram registrados 161.666 roubos e furtos de celulares em 2025, o equivalente a aproximadamente 442 aparelhos subtraídos por dia.
Antes de falar sobre prevenção, é preciso diferenciar os dois crimes. Em entrevista ao BNews São Paulo, o advogado criminalista Alan Deodoro descreve que o furto acontece quando há subtração de um bem sem violência ou grave ameaça. Já o roubo envolve violência ou ameaça contra a vítima.
“O furto é a subtração de um bem ou de uma coisa alheia [...] sem qualquer violência ou uma grave ameaça. O roubo é essa subtração também, porém com violência ou grave ameaça”, explica.
A diferença também interfere na forma de prevenção. Segundo o especialista, quem pratica furto geralmente procura uma oportunidade em que a vítima esteja distraída e não perceba a ação.
“O furtador age num momento de ausência de atenção por parte da vítima”, afirma.
Dados do Anuário ajudam a identificar alguns desses ambientes. Entre os furtos de celulares registrados no país, 49,3% ocorreram em vias públicas. Nos roubos, a proporção foi ainda maior: 77,2%.
Para Alan, manter atenção ao redor é uma das principais formas de dificultar a ação de quem pratica furtos. “O ideal, somente em vias públicas, é a pessoa sempre estar atenta ao que acontece ao seu redor”, orienta.
Enquanto o furto pode depender da distração silenciosa, outras ações são marcadas pela rapidez e pela violência. Um exemplo é o chamado “quebra-vidro”, em que criminosos abordam motoristas parados no trânsito.
No final de agosto, criminosos quebraram o vidro do veículo e levaram o celular de uma influenciadora na Av. Tancredo Neves, na Zona Sul da capital. A mulher registrou a ação dos bandidos, que estavam em uma motocicleta.
Enquanto um deles dirigia, o garupa quebrou o vidro do carro da vítima e roubou o celular. Os homens fugiram enquanto a mulher ficou em estado de choque.
Assista ao vídeo registrado pela vítima:
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O caso mostra como alguns crimes seguem uma sequência previsível: identificar uma vítima parada, realizar uma abordagem rápida e utilizar uma motocicleta para facilitar a fuga.
Para Alan, entretanto, a prioridade em situações de roubo deve ser preservar a integridade física.
“Nunca reaja. Reagir apenas quando indiscutivelmente você tenha condição segura para isso. Na dúvida, não reaja”, afirma.
O interesse pelo aparelho também mudou conforme os celulares passaram a concentrar cada vez mais informações pessoais e financeiras.
“O celular passou a ser o grande alvo porque ele sabe que dentro daquele celular pode ter, para o criminoso, uma mina de ouro”, afirma Alan.
Além de contatos e fotos, os aparelhos podem armazenar acesso a contas bancárias, cartões, aplicativos e documentos. Por isso, o prejuízo pode continuar mesmo depois que o telefone é levado.
O advogado afirma que os criminosos também têm acompanhado a evolução dos mecanismos de segurança. “Os criminosos têm se especializado também em furar esse tipo de bloqueio”, diz.
Por isso, ele recomenda utilizar recursos como autenticação em dois fatores e manter informações necessárias para o bloqueio do aparelho em local seguro.
Após um furto ou roubo, a velocidade da reação da vítima é considerada fundamental pelo especialista. O primeiro passo é bloquear o aparelho e os aplicativos bancários, além de comunicar familiares e amigos sobre a perda do telefone para evitar golpes.
O registro de um boletim de ocorrência também deve ser feito, mesmo quando a vítima não sabe quem cometeu o crime ou considera o bem de pouco valor.
“Mesmo quando a vítima não tem informação quanto ao autor do crime e mesmo quando aparentemente o bem furtado não tem um valor muito alto, [...] o registro de ocorrência é imprescindível”, afirma.
Apesar dos avanços tecnológicos no rastreamento e bloqueio de aparelhos, Alan avalia que furtos e roubos continuarão sendo um desafio para a cidade. Para ele, além da atuação policial, a combinação entre prevenção e resposta rápida pode reduzir os prejuízos.
“As vítimas, aprendendo a se prevenir, tendem também a dificultar a prática do criminoso quando adotam medidas preventivas de bloqueio”, conclui.
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