Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 10/09/2026, às 11h25
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação apura se recursos destinados por meio de emendas parlamentares foram direcionados irregularmente para empresas relacionadas à produção, segundo o Metrópoles.
Segundo a PF, as apurações apontam para a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados.
O grupo seria suspeito de direcionar valores recebidos para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.
A corporação também identificou movimentações financeiras de centenas de milhões de reais entre empresas envolvidas no esquema.
Em São Paulo, são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão. Um dos endereços visitados pelos agentes é o Instituto Conhecer Brasil (IBC), na região da Avenida Paulista.
A organização é ligada a Karina Gama, que também é responsável pela Go Up Entertainment.
Outro alvo é a Academia Nacional de Cultura (ANC), também localizada na região da Paulista. As duas organizações aparecem nas investigações relacionadas aos recursos públicos que teriam sido destinados a entidades ligadas à empresária.
Os agentes chegaram ao IBC por volta das 6h e procuraram documentos e outros elementos que possam contribuir para a investigação. O advogado de Karina acompanhou a ação.
A operação é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). De acordo com a PF, são investigadas suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Não foram cumpridos mandados de prisão nesta etapa.
Mário Frias, além de deputado federal e ex-secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, participou diretamente da produção de "Dark Horse" como produtor executivo e roteirista.
A relação do parlamentar com a investigação envolve principalmente emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, organização ligada a Karina Gama. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a PF apura o envio de aproximadamente R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao IBC.
Uma das emendas, de R$ 1 milhão, teria sido destinada a um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo que, segundo as investigações, não chegou a ser executado. O caso levou Flávio Dino a solicitar esclarecimentos de Frias sobre a utilização dos recursos.
O deputado, porém, nega irregularidades. Em manifestação enviada anteriormente ao STF, sua defesa afirmou que é “absolutamente falsa” a informação de que os recursos teriam sido destinados à produção cinematográfica. Frias também sustentou que as emendas tinham finalidade social e que seguiram os procedimentos previstos.
A produção de "Dark Horse" já estava no centro de outras apurações antes da Operação Make Up. Em maio, foram reveladas conversas envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nas quais teria sido discutido o financiamento do filme.
Segundo as informações divulgadas na época, um dos valores mencionados nas conversas foi de aproximadamente R$ 61 milhões, enquanto as tratativas teriam chegado posteriormente a cerca de R$ 134 milhões.
Os diálogos teriam ocorrido em novembro de 2025, pouco antes da primeira prisão de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero.
A PF também investiga a possível movimentação de recursos relacionados ao filme em outro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, no STF. Essa frente envolve os supostos repasses do Banco Master para a produção.
Além disso, uma investigação da Polícia Civil de São Paulo apura possíveis irregularidades envolvendo um contrato de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil para o fornecimento de internet gratuita a comunidades carentes.
A apuração busca verificar se parte dos recursos teria sido desviada e posteriormente direcionada à equipe de "Dark Horse".
Em agosto, Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a acessar provas coletadas pela Polícia Civil nessa investigação. Karina Gama nega ter cometido irregularidades.
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