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Greve dos bancários: Caixa paralisa nacionalmente e BB tem adesão parcial

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Greve começou após trabalhadores rejeitarem propostas dos bancos; atendimento digital e por telefone segue disponível aos clientes.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 10/09/2026, às 12h00



Nesta quinta-feira (10), funcionários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil iniciam uma greve por tempo indeterminado.

A paralisação ocorre em meio às negociações dos bancários para a renovação dos acordos trabalhistas e terá formatos diferentes nos dois bancos.

Na Caixa, a greve é nacional, após os empregados rejeitarem a proposta apresentada pela instituição para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

No Banco do Brasil, a paralisação é parcial e atinge apenas as bases sindicais que não aprovaram a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

A nova CCT foi assinada na quarta-feira (9), em São Paulo, pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e pelas entidades que representam os trabalhadores. O acordo prevê reposição integral da inflação medida pelo INPC, além de aumento real de 0,6% nos próximos dois anos.

Caixa terá paralisação em todo o país

A greve dos empregados da Caixa foi aprovada pelos trabalhadores da base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região em assembleia encerrada em 4 de agosto. Segundo a entidade, a paralisação terá abrangência nacional.

A categoria rejeitou a proposta apresentada pela Caixa para a renovação do ACT. De acordo com a Contraf-CUT, a rejeição ocorreu em mais de 90% das bases sindicais que participaram das assembleias realizadas pelo país.

Na terça-feira (8), a Caixa enviou um ofício à entidade para convocar uma nova reunião de negociação. O encontro foi marcado para a manhã desta quinta-feira (10).

Segundo a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), a paralisação deverá continuar até que eventuais avanços nas negociações sejam submetidos novamente aos trabalhadores.

Entre os principais pontos de discordância está o Saúde Caixa, além de outras reivindicações apresentadas pelos funcionários desde o início da campanha salarial.

Apesar da greve, a Caixa informou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas e que retomou as negociações com o objetivo de chegar a um entendimento.

Banco do Brasil terá greve parcial

No Banco do Brasil, a paralisação não atinge todas as unidades. A greve ocorre somente nas bases sindicais que rejeitaram a nova convenção da categoria.

Segundo as informações apresentadas pelos sindicatos, 60 entidades não aprovaram o acordo. Entre as bases que decidiram pela paralisação estão Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.

O Banco do Brasil afirmou que participa da mesa única de negociação conduzida pela Fenaban, responsável por discutir questões gerais da categoria, como os índices de reajuste.

Segundo o g1, a instituição também mantém uma mesa específica com os representantes dos funcionários para tratar das questões próprias do banco.

Segundo o BB, foram realizadas diversas rodadas de negociação relacionadas à data-base de 2026, até a apresentação da proposta que acabou aprovada por trabalhadores de diferentes regiões.

O que muda para os clientes?

A paralisação não significa que os serviços bancários serão completamente interrompidos. Os clientes continuam podendo utilizar canais digitais, aplicativos, caixas eletrônicos e outras formas de atendimento remoto.

O Banco do Brasil orienta os clientes a utilizarem o aplicativo, o Internet Banking, os correspondentes bancários e a Central de Relacionamento. Também estão disponíveis os canais de atendimento por telefone e WhatsApp.

Na Caixa, os clientes podem utilizar o App CAIXA, Internet Banking, WhatsApp CAIXA e CAIXA Tem, além dos caixas eletrônicos, da rede Banco24Horas, das casas lotéricas e dos Correspondentes CAIXA Aqui.

A orientação é priorizar esses canais durante o período de paralisação, principalmente para operações que não dependem de atendimento presencial.

Bancários conquistaram reajuste acima da inflação

Apesar da paralisação em Caixa e Banco do Brasil, a categoria bancária chegou a um acordo nacional para os próximos dois anos.

A convenção estabelece a reposição integral do INPC, acrescida de 0,6% de aumento real. O reajuste também será aplicado a benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e outros auxílios.

A negociação também incluiu medidas relacionadas à saúde mental, combate ao assédio e direito à desconexão fora do horário de expediente. Foram estabelecidas ainda regras de maior transparência e limites para o monitoramento digital dos funcionários.

O acordo prevê também um programa de qualificação e recolocação profissional e melhorias na indenização destinada a empregados de bancos privados demitidos em razão do fechamento de agências.

Segundo a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, a categoria conseguiu preservar as cláusulas previstas na convenção e garantir aumento real.

“Foram 13 rodadas de negociação e mais de dois meses de mobilização e diálogo com o setor mais lucrativo do país. A assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho representa uma importante conquista da categoria bancária. Garantimos aumento real por dois anos e a manutenção de todas as cláusulas da nossa CCT.”

Negociações continuam em bancos públicos

A diferença entre a CCT nacional e os acordos específicos explica por que a greve ocorre de maneira diferente na Caixa e no Banco do Brasil.

A convenção assinada pela Fenaban estabelece as condições gerais para a categoria, mas os funcionários dos bancos públicos também negociam cláusulas específicas relacionadas às condições de trabalho de cada instituição.

No caso da Caixa, essas negociações ainda não chegaram a um consenso entre empresa e empregados. No BB, parte das bases sindicais aprovou o acordo, enquanto outras decidiram manter a mobilização.

Além das questões específicas, os bancários apontam como próximos temas de negociação a aplicação da NR-1, o combate às metas consideradas abusivas e a busca por ambientes de trabalho mais saudáveis.

Enquanto as negociações continuam, os clientes dos dois bancos podem recorrer aos canais digitais e alternativos para realizar a maior parte das operações bancárias durante a greve.

Classificação Indicativa: Livre

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