Polícia

Em oitiva, Vorcaro diz querer delatar “atual governo” e cita diretor da PF

Daniel Vorcaro era dono e controlador do Banco Master, até ser preso em novembro de 2025
Em depoimento ao gabinete de André Mendonça, Vorcaro afirmou que se aproximou de integrantes da atual gestão para se proteger de supostos ataques  |   BNews SP - Divulgação Daniel Vorcaro era dono e controlador do Banco Master, até ser preso em novembro de 2025 - Foto: Divulgação Banco Master/Reprodução
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 03/09/2026, às 11h25



O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que sua proposta de delação premiada envolveria pessoas ligadas ao atual governo.

Entre os nomes citados por ele está o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.

A informação foi confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo. O depoimento foi prestado na semana passada a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça.

Segundo Vorcaro, as relações que teria estabelecido com integrantes do governo e de outras instituições dos Três Poderes seriam uma forma de proteção diante de supostos ataques que estaria sofrendo.

“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo”, afirmou.

Banqueiro diz ter buscado relações para se proteger

Durante o depoimento, Vorcaro afirmou que teria se aproximado de pessoas que considerava influentes nos Três Poderes. Segundo ele, os contatos e eventos promovidos pelo banco faziam parte de uma estratégia para evitar possíveis retaliações.

“Eu fiz eventos do banco, fiz interações, sempre com o intuito de me proteger contra a investida dessas pessoas que, no meu entendimento, são as pessoas que comandam não só a economia, mas também a política do nosso país”, disse.

As declarações representam a versão apresentada pelo próprio banqueiro. Até o momento, os relatos não comprovam que as pessoas mencionadas tenham cometido irregularidades ou que os contatos tenham ocorrido pelos motivos descritos por Vorcaro.

Vorcaro reclama de atuação da Polícia Federal

No depoimento, o banqueiro também afirmou ter enfrentado dificuldades para apresentar sua versão aos investigadores da Polícia Federal.

Segundo ele, delegados da corporação teriam demonstrado desinteresse em ouvi-lo, o que atribuiu às relações políticas e institucionais envolvidas no caso.

Vorcaro mencionou ainda uma suposta situação de intimidação durante um voo de helicóptero, quando já estava preso. De acordo com seu relato, agentes da PF teriam utilizado a ocasião para ameaçá-lo.

“Estava no helicóptero, isso, no ar. Então, essa foi a outra oportunidade que eu temi ali pela vida. E foi durante todo o trajeto, durante todo o tempo, eu sofrendo esse tipo de intimidação”, alegou.

O banqueiro também citou especificamente Andrei Rodrigues. Na versão apresentada por Vorcaro, a relação que teria mantido com o diretor-geral da PF estaria entre os fatores que explicariam, segundo ele, a falta de interesse de investigadores em avançar nas conversas sobre uma possível colaboração premiada.

Banquerio fala sobre negócio entre Master e BRB

Vorcaro também abordou durante o depoimento a operação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O negócio previa a aquisição, pelo banco controlado pelo Governo do Distrito Federal, de carteiras de crédito pertencentes ao Master.

Ao falar sobre a operação, o banqueiro afirmou que gostaria de apresentar sua versão sobre as negociações e defendeu que a integração entre as duas instituições poderia ter sido benéfica.

“Uma delas foi a própria fusão e negócio com o BRB, que eu espero muito ter a oportunidade de falar o que efetivamente aconteceu e o tanto que seria benéfico se houvesse sido feita a fusão e a integração dos dois bancos”, afirmou.

As declarações fazem parte das informações apresentadas por Vorcaro no contexto de sua tentativa de colaboração com as autoridades.

A eventual validade dos relatos, assim como a existência de crimes ou irregularidades relacionados às pessoas citadas, ainda depende de apuração.

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