Polícia
por Bernardo Rego
Publicado em 25/06/2026, às 14h34
A empresa Transunião, investigada por fazer lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), recebeu R$ 180 milhões de subsídios do poder público apenas no primeiro semestre. As informações foram divulgadas pelo promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), nesta quinta-feira (25) durante coletiva de imprensa.
A Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), cumpriram cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca e apreensão. Até agora são três presos, entre eles, o vereador da capital Senival Moura, do PT, o presidente da Transunião Transportes S.A., Jair Ramos de Freitas ("Cachorrão"), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento ("Sapo"): motorista e homem de confiança do vereador.
Durante a coletiva de imprensa Gakiya falou sobre a infiltração do crime organizado, em especial o PCC, na economia formal e nos Três Poderes. "É uma empresa cuja direção foi capturada pelo crime organizado, pelo PCC, e também com um braço dentro do Poder Legislativo municipal. Infelizmente tivemos um vereador preso hoje", disse.
"O crime organizado há muito está infiltrado nos Poderes do Estado. E quando eu falo nos Três Poderes do Estado, isso não quer dizer que o PCC, por exemplo, quer se tornar um partido político, um prefeito, um governador, nem mesmo um vereador ou deputado. Mas ele quer participar de uma fatia dos negócios públicos, de licitações milionárias", explicou.
O representante do MP disse ainda ser necessário reforçar os mecanismos de controle sobre as empresas que operam o transporte público, um "compliance antimáfia". Segundo ele, exigências de capital impostas ao setor acabaram abrindo espaço para a entrada de recursos do crime organizado em empresas que não tinham condições financeiras de atender aos requisitos.
"A medida para melhorar as condições dos cooperados demandou aporte de capital e sede própria, mas os cooperados não tinham recursos. Aí surge o crime organizado através de pessoas interpostas, injeta dinheiro e depois vem cobrar a conta", afirmou.
O delegado Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), afirmou que a investigação identificou indícios de que recursos do PCC foram usados para inflar artificialmente o patrimônio da Transunião.
"Eles realizavam o aumento patrimonial fictício da empresa, de R$ 100 mil para R$ 50 milhões. Isso evidentemente injetado com o dinheiro do crime organizado, para depois, por meio de adiantamento de despesas, fluir esse dinheiro para empresas do grupo para depois o processo de lavagem voltar para os criminosos", disse o delegado.
Bloqueio de 117 veículos e 3 embarcações;
Sequestro de 21 imóveis;
Bloqueio de R$ 194.457.851,90 em contas dos alvos.
Os investigados são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas.
Com a operação, a diretoria da Transunião foi afastada e a Prefeitura de São Paulo, comunicada para que sejam tomadas as medidas administrativas cabíveis.
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