Polícia

Furto em ônibus: como funciona o novo "golpe do vômito" usado por criminosos?

Foto: Reprodução/Governo de SP
Influenciador relata experiência com o golpe do vômito, onde criminosos criam uma situação de confusão para roubar celulares.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Governo de SP
Fernanda Montanha

por Fernanda Montanha

[email protected]

Publicado em 29/04/2026, às 08h21



Usuários do transporte público de São Paulo têm relatado uma nova forma de furto de celulares dentro dos ônibus.

Segundo o Metrópoles, conhecido como “golpe do vômito”, o esquema usa uma distração para confundir a vítima enquanto comparsas aproveitam para levar o aparelho.

No domingo, 26 de abril, o influenciador digital Guilherme Giaretta publicou um vídeo contando que passou por essa situação. Segundo ele, voltava do trabalho de ônibus quando um homem o chamou atenção para algo em suas costas.

O suspeito dizia, em espanhol, que uma criança de colo havia vomitado nele. Ao olhar, Guilherme percebeu uma substância pastosa semelhante a vômito em sua roupa. O criminoso insistia em limpar a sujeira, criando a distração perfeita para o furto.

Enquanto o homem tentava limpar sua camiseta com um lenço, outro integrante do golpe aproveitou para retirar o celular do bolso do influenciador. Ele só percebeu o furto depois que os suspeitos já haviam deixado o ônibus.

Outras vítimas relatam o mesmo esquema

A social media Eloise Oliveira, de 30 anos, contou ter vivido situação parecida em setembro de 2025, na linha 172U-10, na Mooca. Segundo ela, a abordagem foi semelhante, mas os suspeitos não falavam espanhol.

Ela relatou que a substância parecia uma mistura de leite condensado, leite e paçoca. Segundo Eloise, a aparência e o discurso dos criminosos fazem a vítima acreditar imediatamente que se trata de vômito, o que dificulta a reação.

A influenciadora Mirian Almeida, de 31 anos, também relatou ter sido alvo do golpe em novembro, na linha 5110-10, no Terminal São Mateus. Ela afirmou que toda a ação durou cerca de 30 segundos, desde a abordagem até a fuga dos suspeitos.

Golpe antigo com nova versão

Apesar do nome recente, esse tipo de abordagem não é novidade. Casos semelhantes já eram registrados desde 1996, quando criminosos usavam ketchup para sujar turistas e distraí-los durante furtos.

No exterior, o esquema ficou conhecido como “mustard scam”, ou golpe da mostarda. Há relatos semelhantes em cidades como Buenos Aires, Quito, Santiago, Estocolmo e Barcelona.

O engenheiro Edson Kaneko contou que passou por uma tentativa parecida na Argentina, em 2013. Uma mulher disse que sua esposa estava com sujeira na roupa e se ofereceu para limpar. A insistência em ajudar é justamente o principal sinal de alerta desse tipo de crime.

A Secretaria de Segurança Pública informou que localizou 2 ocorrências recentes com características semelhantes e afirmou que os casos seguem sob investigação nos distritos policiais da Freguesia do Ó e Jardins.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp