Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 26/08/2026, às 11h15
A Marginal Tietê registrou ao menos 207 roubos de celular no primeiro semestre de 2026, número superior ao contabilizado em 621 municípios do estado de São Paulo no mesmo período.
Segundo o portal Metrópoles, o levantamento considera ocorrências registradas em diferentes trechos da via e em seus acessos.
Para efeito de comparação, São José dos Campos teve 165 roubos de celular, enquanto São José do Rio Preto registrou 137 no período. Os dados mostram a dimensão dos crimes patrimoniais em uma das principais vias da capital paulista.
O levantamento foi feito a partir dos registros de ocorrência que mencionam a Marginal Tietê por seus diferentes nomes, além dos acessos à via.
Casos duplicados foram excluídos e entraram na conta apenas os roubos, quando há violência ou ameaça contra a vítima.
Na região da Vila Guilherme, onde a Marginal Tietê recebe o nome de Avenida Morvan Dias de Figueiredo, foram registrados 22 roubos de celular no primeiro semestre.
Outro trecho da via, a Avenida Otaviano Alves de Lima, concentrou 26 ocorrências. Os registros, porém, estão distribuídos ao longo de aproximadamente 7 quilômetros e abrangem diferentes bairros.
Também foram identficadas duas ocorrências em trechos relativamente próximos à região da Ponte Júlio de Mesquita Neto, onde recentemente ganhou repercussão um vídeo que mostra pessoas em atitude suspeita, membros da “Gangue da Bananeira".
O grupo teria usado uma área de vegetação às margens da pista como esconderijo antes de abordar motoristas presos no trânsito. Os celulares seriam um dos principais alvos dos criminosos.
Além dos 207 roubos, foram identificados ao menos 420 furtos de celular na região durante os seis primeiros meses do ano. Nesse tipo de crime, não há violência contra a vítima.
Dados obtidos em um radar da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) indicam que aproximadamente 74 mil veículos passam diariamente pelas chamadas “pistas da bananeira”, nas proximidades da Ponte Júlio de Mesquita Neto, no sentido da Rodovia Ayrton Senna.
A região é marcada por congestionamentos e lentidão frequentes, inclusive fora dos horários de pico, o que pode deixar motoristas mais vulneráveis a abordagens criminosas.
No local onde os suspeitos costumavam se esconder, há um terreno baldio com pequenas trilhas, árvores e vegetação.
Lá, foram encontrados restos de materiais descartados e vidros de veículos quebrados na calçada.
Um reciclador que vive nas proximidades contou que ele e outras pessoas em situação de rua decidiram cortar a bananeira que servia de esconderijo para os suspeitos.
“Nós cortamos a bananeira que os moleques ficavam se escondendo atrás e correndo pra mata. Porque os policiais acham que somos nós, mas não somos nós. Eles estão roubando, ninguém está gostando e está sobrando pra nós”, relatou.
Segundo o reciclador, o grupo seria formado por oito ou nove adolescentes que vivem em uma comunidade próxima.
Ele afirmou ainda que lideranças locais teriam determinado que os jovens não roubassem mais naquela área, mas a orientação teria sido descumprida.
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no combate aos crimes patrimoniais na capital, inclusive na região da Marginal Tietê.
Segundo a pasta, os roubos de celular caíram 6,8% na cidade de São Paulo no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.
Nas áreas abrangidas pela 1ª, 3ª, 4ª e 5ª Delegacias Seccionais, a redução teria sido ainda maior: 13% nos roubos de celular. No mesmo período, os roubos em geral caíram 11,5%, enquanto os furtos tiveram redução de 4,1%.
A SSP informou ainda que as ações policiais realizadas nessas regiões resultaram na detenção de 10.606 infratores e na apreensão de 503 armas de fogo.
Sobre a área da Ponte Júlio de Mesquita Neto, a secretaria afirmou não ter localizado registros de ocorrências exatamente no ponto indicado pela reportagem.
As imagens divulgadas foram analisadas pelo Centro de Inteligência Policial das Seccionais, que teria reorientado o planejamento das operações na região para identificar os envolvidos e esclarecer os fatos.
De acordo com a SSP, o combate aos roubos e furtos de celulares ocorre por meio de operações de inteligência, investigação e policiamento ostensivo, com foco na identificação dos autores, recuperação dos aparelhos e combate aos receptadores.
Desde 2023, segundo a secretaria, mais de 85,2 mil celulares foram recuperados em todo o estado de São Paulo por meio das ações de enfrentamento a esse tipo de crime.
Entre as iniciativas está o programa SP Mobile, voltado à localização e devolução de aparelhos roubados ou furtados.
Em uma operação recente na área da 4ª Delegacia Seccional, na zona norte, a Polícia Civil identificou e indiciou um suspeito de participar de roubos de celulares mediante a quebra de vidros de veículos parados no trânsito. Segundo a SSP, o homem foi reconhecido por vítimas e testemunhas.
Apesar da redução dos indicadores gerais apontada pela secretaria, os 207 roubos de celular registrados na Marginal Tietê mostram que a via continua sendo um ponto de atenção para motoristas e passageiros, especialmente em trechos sujeitos a congestionamentos e com áreas de vegetação próximas às pistas.
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