Polícia

Grávida e crianças egípcias são liberadas após um mês retidas em Guarulhos

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Após um mês no Aeroporto de SP, família egípcia que busca refúgio é parcialmente liberada; pai das crianças continua retido na área internacional  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 09/05/2026, às 07h30



Após 30 dias de incerteza na área restrita do Aeroporto Internacional de Guarulhos, uma mulher egípcia, grávida de 36 semanas, e seus dois filhos receberam autorização para ingressar em território brasileiro na quinta-feira (7).

O pai das crianças, Abdallah Saad Ali Montaser, permanece impedido de entrar no país e continua retido no aeroporto.

A família buscou o Brasil como refúgio para escapar da instabilidade e dos conflitos do Oriente Médio.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Impasse jurídico

A liberação ocorreu após uma intensa mobilização de entidades de Direitos Humanos, órgãos federais e da defesa da família, liderada pelo advogado Willian Fernandes.

Ao sair do aeroporto, a gestante e as crianças foram acolhidas por uma rede de apoio a migrantes que acompanham o caso desde o início. Apesar do avanço, a defesa considerou o caso como uma solução incompleta.

"Não há solução justa sem a reunificação familiar. Seguiremos atuando para garantir que o pai também possa entrar no Brasil. A gestante está na 36ª semana de gravidez e não pode ser deixada sem o marido em um momento de tanta vulnerabilidade", afirmou Fernandes em comunicado.

A situação segue sendo discutida juridicamente. A expectativa é que a condição de Abdallah seja revisada para permitir a união da família.

Procedimentos de segurança foram criticados

O caso trouxe à tona discussões sobre a Portaria nº 770/2019, utilizada para barrar indivíduos classificados como potenciais riscos ao país.

A defesa da família e o Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC) criticam o uso dessas normas de forma genérica, sem transparência ou direito ao contraditório.

O CDHIC ainda destacou que este não é um caso isolado, nos últimos seis meses, pelo menos quatro situações semelhantes foram registradas em Guarulhos.

Além de enfrentarem permanências compulsórias prolongadas, os refugiados não possuem acesso adequado a informações sobre os motivos do impedimento.

O órgão relembrou que, em 2024, um migrante de Gana faleceu na área restrita do aeroporto enquanto aguardava uma definição, evidenciando o perigo das retenções prolongadas.

Embora o Estado tenha o dever de proteger suas fronteiras, os critérios de segurança não devem anular o devido processo legal ou a dignidade humana, especialmente em casos envolvendo crianças e pessoas em extrema vulnerabilidade.

Segundo a CNN Brasil, o Aeroporto de Guarulhos foi procurado para comentar o suporte e a situação na área restrita, mas não se manifestou.

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